quarta-feira, 29 de abril de 2015

Entrevista com Carlos Magno Sena - autor de: À FLOR DO CERRADO

Natural de Três Corações-MG, Sargento aposentado do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, escritor, fotógrafo, músico multi-instrumentista e artesão.


Se faz múltiplo: bombeiro, paraquedista, cantor, escritor, ator, músico, pintor, fotógrafo, sem contar o talento que tem para fabricar brinquedos e móveis com caixotes de feira. Em brincadeira, costumo chamá-lo de “poliplural”. Sua obra, portanto, não poderia ser diferente. À Flor do Cerrado migra, com perfeito domínio entre técnica e lirismo, de momentos de introspecção aos da alegria arrebatadora de personagens colhidas pelo autor em uma das tantas peregrinações que faz pelo Brasil. Há um projeto temporal em que o passado se mostra aos olhos do poeta apenas para se fazer paradoxo – beleza e agrura, simplicidade e complexidade – e tão logo se transforma em esperança, como quem espera Godot, infinitamente: “Chuva / Vem logo. / Estou num filme / preto e branco”. Ao ver a vida acontecer tão de perto, cria a verdade na literatura. Histórias e pessoas reais confundem-se com as imaginárias neste território árido... E é impossível ficar alheio à flor que brota na adversidade. Meu preferido? Espelho: “O dia / em que me encontrei / com / São Francisquinho / tomei / foi tapa / na cara. / Nunca vi /o Santo tão brabo”. E gasto um bom tempo aqui com meus botões matutando: o que o poeta fez para desagradar o Santo?

Adriana Aneli


Relato das vivências do autor com o povo do Cerrado do norte de Minas Gerais, região de Grão Mogol , onde percebeu o quão grande era a sua omissão perante a sociedade dos excluídos.









Olá Carlos. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.


Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Minha obra é o relato de minhas vivências com o povo do cerrado no norte de Minas Gerais, sua cultura, suas mazelas e alegrias. A ideia não surgiu de repente, ela foi acontecendo desde que aposentei em setembro de 2014 e saí andarilhando pelo Brasil de motocicleta. Fiquei tão impressionado com a região de Grão Mogol que parei por aqui com o propósito de ficar "por um tempo" e hoje sou morador. Minha obra se destina ao povo que não tem acesso à cultura, ao povo que não tem o hábito de ler, é escrito numa linguagem simples, sem refinos literários e/ou preocupações estéticas. Uso muito linguajar regional, gírias locais e neologismos. Costumo brincar que sou um "Jagunço Literário".

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Sempre escrevi muito. Sou filho de professora.  Na arte da escrita tenho muitas composições musicais, compus e gravei (letra e música) o Hino de mais de 60 Motoclubes pelo Brasil. Em 2002 escrevi e registrei o livro "A Santíssima Trindade segundo Raul Seixas", mas nunca procurei editora. Faço muito cordel, que eu mesmo imprimo em casa, monto os livrinhos e vendo nas minhas andanças, em bares, praças, feiras-livres. Já tenho material na mesma linha deste livro para o À Flor do Cerrado II (nome provisório). Tudo isso para mim é uma brincadeira. Não vivo da literatura, mas hoje vivo NA literatura.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Que venham as críticas: A MAIOR PARTE DA CULPA É DOS PRÓPRIOS ESCRITORES QUE SE FECHAM EM SEUS MUNDINHOS COM QUEM LHE FOR CONVENIENTE. Se trancam em saraus convidando quem lhe for do agrado, vivem de "aplauso garantido" nessas rodinhas, não se expõem, não dão "a cara a tapa" na rua, e escrevem em linguagem a maioria das vezes hermética demais. O Brasil lê sim! Lê o que lhe chega às mãos e por um preço módico! Vendo cordéis "de baciada" nas ruas, feiras livres, e agora meu livro também. Só vejo escritores reclamando que não vendem livros, que o Brasil não lê, mas ficam trancados em seus mundinhos e só reclamam, NÃO AGEM. A síndrome de coitadinho impera.  VAI PRA RUA VENDER LIVRO NO SINAL! Se todos fizessem isso, o Brasil leria muito mais. O Povo não tem acesso, e os preços das publicações e os impostos também contribuem e muito. E as escolas não têm professores preparados, trabalham mecanicamente por um salário pequeno, não têm estímulo nenhum. Poucos autores levam seus livros para as ruas, nas favelas, na zona boêmia, nas construções, nas escolas, nos sinais, zona rural, escolas públicas, enfim, aonde a cultura não chega.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Procurei na INTERNET quando pensei em publicar o À Flor do Cerrado e foi a Editora que mais me passou segurança.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Sim, meu livro merece ser lido. Pode servir como um alerta para as mazelas sociais que acontecem na nossa calçada e que a mídia não divulga tanto como as que ocorrem em outras partes do planeta.

Obrigado pela sua participação.

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