sexta-feira, 1 de maio de 2015

Entrevista com Breno D R C Araújo - Autor de: OS LABIRINTOS PERCORRIDOS POR UM ALUNO ASPERGER

Nasceu em Natal, Estado do Rio Grande do Norte, no ano de 1985. Recebeu o diagnóstico de síndrome de Asperger aos 20 anos de idade. Apesar disso conseguiu percorrer toda trajetória acadêmica de acordo com seu ritmo e possibilidades.  O interesse por mitologia surgiu por conta dos desenhos dos Cavaleiros do Zodíaco e He Man, dentre outros. Seus interesses específicos o estimularam à leitura. Cursou História NA Universidade. Tem gosto musical eclético mas prefere música clássica e cinema. Dedica seu tempo a ler e escrever em  três blogs, do qual ele se utiliza para sua atividade intelectual.


Todos passamos por situações de descompasso, adaptação, aprendizado, sofrimento, depressão, incompreensão, êxito, superação, afeição, interesse por coisas específicas etc. O que muda no caso desta história é que esses sentimentos e situações foram vivenciados por uma pessoa com transtorno do espectro autista, o qual envolve particularidades marcantes quanto ao convívio social e resulta em consequências profundamente delicadas no processo cognitivo humano. Em Os labirintos percorridos por um aluno Asperger: do ensino infantil ao superior, Breno conta sua história. Como bem diz Walter Camargos Jr no prefácio, “a leitura da obra pode ser feita de várias formas, como um romance, como uma autobiografia simples ou como uma de caráter técnico”, já que vai interessar aqueles que estudam ou convivem com transtornos do espectro do autismo. No entanto e por isso mesmo,  a história de Breno é, antes de mais nada, uma história de superação, que acompanhamos com crescente emoção e envolvimento,  ao longo dos quatro capítulos da obra: “Dizem que sou antissocial...”, “Entre mitos e verdades”, “Correndo no labirinto”, e ”Finalmente a luz”.

Olá Bruno. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
É um relato da minha vivência de estudante com a Síndrome de Asperger (autismo leve). Durante minha jornada acadêmica, do ensino infantil ao fundamental estudei em sete diferentes escolas até conseguir uma escola que trabalhava com a proposta das múltiplas indigências. Foi a escola em que cursei todo ensino fundamental e médio por ter compreendido minhas necessidades educacionais especiais, valorizado e incentivado minhas habilidades em detrimento das minhas dificuldades. Só assim consegui chegar ao nível superior e cursar História. Inicialmente a ideia era apenas registrar os acontecimentos do dia a dia em um diário. Minha mãe acreditava que isso poderia me ajudar a compreender as perturbações que eu sofria por conta dos acontecimentos indesejáveis em relação a alguns colegas e mesmo professores, mas apenas após participar de alguns eventos palestrando sobre minha experiência, e as pessoas incentivarem, decidi publicar em livro, com a intenção de que possa ser útil aos educadores – pais e professores – conhecerem como foi o percurso escolar de um aluno Asperger em uma época que a inclusão era pouco ou quase nada compreendida e discutida.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Minhas habilidades matemáticas são bastante prejudicadas, no entanto adoro música, cinema, quadrinhos e mitos. Talvez o fascínio pelos mitos tenha contribuído para minha escolha por cursar História, influenciado pelos Cavaleiros, He-Man, e outros. Também gosto muito de escrever, e quem sabe esse primeiro livro seja o passo inicial para publicar outros. Alguns textos eu já tenho escrito em rascunho para quem sabe futuramente me enveredar por outros gêneros.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Realmente esta é uma triste realidade que nosso pais vem enfrentando, talvez como uma herança dos tempos da colonização, o que torna a vida de um intelectual bastante penosa.  Mas ainda assim acredito que gradualmente poderemos ter um Brasil melhor sabendo como valorizar a cultura começando pelo incentivo a leitura nas crianças.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Um amigo de minha mãe publicou pela Scortecci e a indicou. Minha mãe solicitou orçamentos em três editoras diferentes e optou pela Scortecci.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Merece com certeza, porque escrevi com a intenção de servir de utilidade informativa sobre as pessoas com a Síndrome de Asperger.  Acredito que minha história pode servir de inspiração para pais e profissionais da educação acreditar no potencial de suas crianças. O processo educacional – do ensino infantil ao superior - para alunos com Asperger (Transtornos do Espectro do Autismo) não é fácil. O ensino infantil, particularmente para essas crianças, desempenha papel fundamental no que concerne a estimulação da linguagem e interação social, áreas mais prejudicadas para esse público. Os processos educacionais para crianças autistas que mais têm obtido êxito são diferenciados dos demais por serem elaborados atendendo as necessidades específicas às características do TEA, que permitem desenvolver as potencialidades dos indivíduos autistas de maneira intensiva, mas ainda são desconhecidos pela grande maioria dos especialistas brasileiros. O processo de ensino e aprendizagem representa enorme desafio, tanto para esses alunos como a escola, em virtude das características comportamentais se acentuarem e poderem se agravar com o avanço da idade, no caso dos autistas com maior gravidade, impedindo-o de continuar o convívio na comunidade escolar, motivo que dificulta o acesso aos níveis de ensino profissional e superior, sendo raros os casos de sucesso.

Obrigado pela sua participação.

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