segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Entrevista com Guy Werneck - Autor de: O TOM DE MEUS CANTARES

Natural de São Paulo, capital, nasceu em 14 de março de 1982: não por acaso, Dia dos Poetas.Guy despontou para a literatura poética quando morava nos Estados Unidos, numa pacata cidade do interior de Utah. Em sua juventude turbulenta, começou e abandonou vários cursos, como jornalismo, hotelaria, entre outros, porque não se encontrou nos moldes acadêmicos. Estudou História da Arte Moderna no Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM). Após participar de oficinas literárias e saraus na Casa das Rosas, no Espaço de Poesia e Literatura Haroldo de Campos e no conceituado Instituto Palas Athenas, em São Paulo, sua escrita passou a tomar curso e forma, estilo e sofisticação. Sente como influências literárias Fernando Pessoa, Camões, Castro Alves, Pablo Neruda, Vinícius de Moraes, Mário Quintana, os poetas em especial românticos, escola da qual Guy considera-se encaixado, pleno, direcionado e expressivo. Poetas como Adélia Prado, Cecília Meireles, Hilda Hilst, Zeca Baleiro, Caetano Veloso, também passam por seus gostos e curiosidades. Além destes grandes nomes da música popular brasileira, o Rock e poesia nacionais sempre estiveram presentes e são influências até hoje em seus versos por vezes melódicos e um bocado irônicos, irreverentes. Dentre os principais nomes que Guy considera ter influência abrangente são Renato Russo, ex-líder da Legião Urbana, Raul Seixas e Cazuza.
Participou das seguintes antologias:
- Seleta Cultural Poesias I - LP-BOOKS – SP (2012)
- Portugal Feliz  - LP-BOOKS SP (2014) - antologia que fez homenagem a temas livres marcando um novo ano com as promessas e expectativas dos autores presentes e da comemoração de mais um ano de Editora. Temas como esperança, felicidade e perdão encontram-se nos poemas.
- Brésil en Scéne - Antologia da Divine Académie (2014) Paris. Seleção de 50 autores brasileiros de todas as partes do Brasil que discorrem sobre temas como política, sociedade e cultura brasileira nos tempos atuais.

A obra de poemas inéditos  traz um conteúdo recheado com uma multiplicidade de temas de cunho social, de anseios de uma sociedade e contrastes da vida, em contextos globais, que caminham constantemente em transformação e estagnação.

Entre versos ásperos, Guy Werneck,
que se considera um poeta romântico e contemporâneo, retrata o caos urbano, a solidão, o preconceito, o amor, a esperança de dias melhores, as desilusões presentes nas sociedades e culturas que por vezes, se estagnam no âmbito e contextos da desigualdade social.

Em poemas que dialogam entre si, como se fossem um só sujeito presente em sua voz ativa, Guy deixa mensagens sublimes e críticas fecundadas a conjunções e condições de uma sociedade ambígua e em conflitos.  O legado do autor neste livro nos traz uma recriação de seu universo próprio, através da inserção, indagações e diálogos entre personagens não só fictícios, imbuídos no conceito da obra, que permitem ao leitor refletir sobre os nossos tempos, sobre as nossas mudanças e, sobretudo um despertar para novos olhares e horizontes. Sobre as nossas incertezas e anseios naturais de gerações distintas, de maneira atemporal e consistente. Retratos de justiça, paz, igualdade, direitos humanos, de amor e de esperança, de um mundo com mais liberdade e democracia. Guy faz de suas críticas e indagações um elo entre sua inquietude e o universo ao seu redor, captado pelos seus radares, como é revelado em O Poeta Maldito.
Olá Guy. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Olá a todos. Primeiramente, gostaria de agradecer a Scortecci pela oportunidade de conceder esta entrevista.
Em sua grande parte o livro trata-se de temas de cunho social, de um universo atual que se dialoga entre distintas realidades, sociedades e gerações. Costumo pensar nessa obra de poemas inéditos como um livro que poderia ter sido escrito há cem anos, bem como nos tempos atuais ou décadas adiante, por acreditar e expor  nos poemas, o que estamos vivendo, no Brasil e tantas outras sociedades e em fases de tempos de transformação social, cultural, sim, positivas, mas também de estagnação e muitas vezes em retrocesso, com os conflitos de ideais e guerras civis, por políticas que corrompem e mantêm populações alienadas, escravas e atrasadas.
O ser humano custa a evoluir espiritualmente e a linha do tempo e histórias da humanidade demonstram que sempre houve conflitos nas sociedades. Não faço julgamentos embora entre diversos poemas o leitor vai se deparar com uma porção enorme de críticas ferozes, versos e trechos ásperos, com mensagens através de personagens não só fictícios mas também biográficos, imbuídos no conceito da obra, que se dialoga entre si em quase todas as questões, que permitem refletir sobre as nossas mudanças, sobre os nossos tempos.
De maneira atemporal, os poemas são retratados com consistência solidificando e justificando os temas abordados, como retratos de justiça, esperança por igualdade social, por mais amor e menos solidão em tempos de alta tecnologia, por um mundo e sociedades em maiores condições de liberdade de expressão e democracia, por um mundo com menos hipocrisia e versos de histórias de encantamento e laços afetivos.
É sobre um despertar para novos olhares e horizontes que os embriões surgiram para tornar-se uma ferramenta a cutucar os leitores e essa é a maior motivação pela obra.
Atualmente, as pessoas têm mais acesso a livros do que antigamente. Com a tecnologia, o acesso a eles também se tornou um fator muito importante. Mas hoje você vê um pai incentivando os filhos em rodas de leitura e curte uma história infantil. O Tom de Meus Cantares, inclusive fala da questão de trazer a atenção e a audiência como uma forma de crítica a quem queira chamar a atenção porque deseja a fama, o dinheiro, a ostentação, agora não cabe a mim julgar, o público a que se destina essa obra é que vai responder quem é o público, acredito que quem está buscando algo novo e ideias autênticas irá se interessar, seja um adolescente, um universitário ou alguém na maturidade. Através de muitos professores literários, escritores, poetas e da área das comunicações sociais, obtive feedbacks de que meu estilo e sofisticação poéticas são inconfundíveis e progressistas, para que sejam cada vez mais notórias, admiradas e estudadas, portanto aos estudantes das áreas literárias, dos críticos da poesia brasileira e até dos formandos em psicologia, quando se estuda o objeto do ser, pode ser muito interessante.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Desde garoto tive estímulo externo para a expressão textual, ainda quando estudava na Escola Paulo Freire, na infância, tinha aulas de poesias. No decorrer dos estudos o que me agradava e despertava o interesse era a área de humanas, enquanto as turmas e os amigos dos colégios em que estudei curtiam as disciplinas biológicas ou exatas, eu me aprofundava e focava nos conhecimentos das áreas de humanas. Sobre o contexto familiar de diversas mudanças geográficas na cidade de São Paulo, capital, onde nasci, cresci e resido, tinha de me adaptar aos novos colegas de escola e colégio, de bairro,
os amigos de toda a parte e isso fez com que eu tivesse dificuldade de me adaptar aos estudos com as novas dinâmicas e propostas pedagógicas, com novas turmas e deixando de conviver com os mesmos amigos, passando a conhecer muita gente, muitas histórias.
Nos estudos de técnicas de redação e gramática, ortografia a eficiência escolar era sempre a melhor. Além de história e conhecimentos geográficos. Mas em determinado momento, com 15 anos de idade, ao iniciar o Ensino Médio, hoje faço a leitura de que com os sinais das mudanças físicas e afetivas estavam sob um risco de saúde que já vinha se somatizando.
Com minha personalidade inquieta buscando sempre um ideal de vida e encaixar e manter amizades, passei a me isolar e desinteressar pelos estudos e até mesmo pela vida.
Eu optei junto aos meus pais por estudar no exterior, para fazer um programa de intercambista em colégio público em uma cidade muito pequena do interior dos Estados Unidos.
Foi lá que eu me encontrei, longe da minha terra. Lá também que percebi e descobri o poder de articulação e persuasão com as pessoas e o verdadeiro talento para a escrita. Não falava o idioma, mas aprendi no dia a dia rapidamente e passei a escrever muito bem em inglês. Sabia que eu tinha de focar na área de comunicações. Embora tenha passado seis meses nos Estados Unidos, parece que o tempo não passava e todos os dias eram intensos e cheio de atividades, prática de esportes e estudo de religião nativa. Antes de iniciar o inverno rigoroso tive problemas de saúde e fiquei quinze dias internalizado.
Foi nesse momento, sobre esse contexto com as descobertas do que a vida me era até então e o que estaria por vir, novamente em solos brasileiros, concluí os estudos já sabendo da opção de cursar Jornalismo na universidade.
Bem a frente e além do que me aguardava, eu já tinha ideias de escrever livros.
Mas preferi deixar sempre tudo que escrevia guardado em casa, muitas vezes dividia os textos, pensamentos, poemas, ideias com amigos, mas muitas vezes, não gostava de mostrar a ninguém. Com mais estudos, cursos de criação de personagem, oficinas literárias, saraus, tudo ficou mais fácil e passou a fluir, entrei para o segmento da literatura tendo participado de quatro antologias poéticas. São elas:
- Seleta Cultural Poesias I - LP-BOOKS – SP (2012)
- Portugal Feliz  - LP-BOOKS SP (2014) - Antologia que fez homenagem a temas livres marcando um novo ano com as promessas e expectativas dos autores presentes e da comemoração de mais um ano de Editora.
Temas como esperança, felicidade e perdão encontram-se nos poemas.
- Brésil en Scéne - Antologia da Divine Académie (2014) Paris. Seleção de 50 autores brasileiros de todas as partes do Brasil que discorrem sobre temas como política, sociedade e cultura brasileira nos tempos atuais. Obra traduzida para o francês e circulado no mercado especialmente francês.
Trabalhei em empresas que não têm a ver com esse segmento literário, como redator tive uma passagem em um portal de música da web. Prestei trabalhos voluntários, sociais, nas áreas da saúde e educação.
Sim, tenho em mente novas ideias de publicações literárias, bem como livros de prosa, conto e crônicas, romance e penso em desenvolver outros projetos, ainda não definidos, muito interessantes e pretendo continuar nesse ofício de escritor, que me é libertador e por vezes solitário, mas satisfatório e cada vez mais fascinante.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Bem, não vejo atualmente um Brasil com tão poucos leitores assim. Eu tenho vários amigos e conheço muita gente em diversos estados do Brasil difundindo a cultura e a leitura, com projetos de divulgação de livros, feiras de trocas de livros, e eventos de leitura.
Como citei no início da entrevista, é muito comum e em órgãos públicos, como a rede SESC, eventos literários em casas de cultura de todo o País, grupos, rodas de crianças e jovens lendo, com gosto e aprendizado.
Estão valorizando muito mais um livro e outros temas que não só religião, autoajuda e negócios. Isso está se expandindo, mas ainda falta muito para a população brasileira chegar a um nível de conhecimento, de consumo de literatura e gêneros específicos como na Europa, por exemplo. Mas vejo uma diferença na balança, hoje os pais apoiam seus filhos nos estudos, nos grupos, as universidades públicas, federais, estaduais e particulares estão cheias de alunos dedicados, interessados e se destacando em diversos segmentos do mercado. Acho que respondi essa questão, não?
O cinema está chegando em regiões paupérrimas do Norte e Nordeste do País, para dar mais um exemplo de cultura. Penso que tem outros fatores sociais em desvantagem. Quem não tem um teto para morar, não tem nem como escolher um livro que goste.
Existe sim um lado das camadas sociais desanimada, desinteressada e enfraquecida pelos governos. Isso desanima mesmo.
Se você me perguntar como vejo a vida de um poeta em um Brasil? Acho maravilhoso, aqui e em muitos outros países do mundo, principalmente na Europa, com a cultura milenar e etc. mas como tudo que se faz na vida, com esforço, leva tempo para poder se estabilizar, no caso de escritor, poeta, financeiramente, é mesmo mais complicado.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Tenho um amigo que trabalha com cinema e é escritor. Há tempos ele publicou um livro pela Editora, achei interessante a proposta e o trabalho da Editora e segui em frente. Betty Silberstein, uma grande amiga, tradutora, revisora e escritora premiada, me indicou novamente alguns anos depois, até a publicação de O Tom de Meus Cantares.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Ah, se eu dissesse que meu livro não merece ser lido já não teria nem escrito.
Eu espero poder contribuir de alguma forma para cada um de vocês leitores. Por tudo que falamos aqui, ou que seja, no mínimo, um ponta pé inicial para iniciarem na escrita, nas comunicações ou por deleite no ramo da literatura poética e curiosidade.
Se as mensagens que ficarem os tragam qualquer positividade, já valeu, pois o espírito do livro é esse, de fazer refletir e unir as pessoas, ainda que sejamos todos um só ser, mas podemos viver melhor, e curtir arte e poesia.

Obrigado pela sua participação.

3 comentários:

  1. Guy, a poesia é a síntese da diversificação, da diversidade, da miríade de conhecimentos e de experiência de vida que v demonstrou ter de sobra na entrevista. Parabéns!! Vera Aguiar

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  2. Parabéns, Guy Werneck! Visão clara do que quer e a que veio! Muito legal sua opinião sobre o atual cenário de leitores no Brasil. Beijos. Fique com Deus, siga em frente!

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