segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Entrevista com Jane Gatti - Autora de: O OLHAR DA MADONA

Jane Gatti
É natural de Mogi das Cruzes - SP. Dedicou sua vida ao magistério, como professora de Língua Portuguesa e Produção de Textos. Graduada em Letras pela Universidade de Mogi das Cruzes e Mestre em Linguística Geral  pela Universidade de São Paulo, encerrou sua carreira no magistério como Coordenadora dos Cursos de Letras e Pedagogia da Unisuz, Faculdade de Suzano. Durante toda sua vida escreveu peças teatrais, textos poéticos, contos,  sem a preocupação de publicá-los. O Olhar da Madona é seu primeiro livro de contos. Atualmente, publica seus poemas e crônicas em seu blog http://viveremprosaeverso.blogspot.com.

Traz dezesseis contos de temática variada. O fio condutor é a vida, o cotidiano de pessoas comuns. Mas esse cotidiano se caracteriza por uma busca de autoconhecimento, de raízes, de acertos de contas. No entrelaçar das vidas descritas surge ainda  o mistério, o inexplicável, que surpreende, revela, indica novos rumos, novas decisões... Como na vida real, o acaso redireciona ações e provoca  reações. Essa coletânea, de leitura nem sempre linear, mostra ao leitor a busca do ser humano em encontrar e mostrar a sua verdadeira face, muitas vezes encoberta pelas máscaras que a vida impõe.


Olá Jane. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
O livro “O olhar da Madona”, de minha autoria, trata basicamente da busca do ser humano para encontrar a si mesmo, para perceber a sua realidade, mediante o enfrentamento da vida, que oferece, em situações do cotidiano,  conflitos, mistério, tomadas de decisões... Os dezesseis contos apresentam  ainda a  procura do ser humano  por uma identidade que lhe seja verdadeira, apesar de perceber os papéis que assume perante os fatos que se lhe apresentam.
O título do livro é o mesmo do primeiro conto que escrevi: O Olhar da Madona. Após a produção desse texto, percebi o prazer de transpor para o papel histórias projetadas a partir de fatos, de situações, e até mesmo simplesmente provocadas pela imaginação. Os contos foram surgindo e permaneceram gravados no computador. Somente após muitos anos surgiu a vontade de publicar, até então, a criação dos contos era um prazer subjetivo: perceber uma ideia que tomava forma, transformando-se em um conto.
Este não é um livro para crianças ou para adolescentes, embora não haja apelo erótico ou violento, que possa perturbar mentes infantis ou juvenis. É destinado a leitores jovens ou adultos, que gostem de textos que levem à reflexão, leitores que tenham a curiosidade de construir a linha do pensamento da autora, que muitas vezes joga com a linearidade, com o inesperado, com o inexplicável.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Há uma grande lacuna entre o escrever e o publicar. Certamente este não é o único livro que pretendo escrever. Estou já com um romance encaminhado, aguardando o tempo necessário para concluí-lo, já que demanda pesquisa histórica. Tenho também textos infantis e duas peças teatrais já encenadas que não foram publicadas. Um autor desconhecido dificilmente é amparado para a publicação de sua obra, desta forma, espero, que depois deste, haja oportunidades que me permitam publicar os demais já escritos e aqueles que hão de vir.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Infelizmente há uma política de divulgação de autores estrangeiros que impede que os autores nacionais sejam valorizados como deveriam. Apenas aqueles nomes já conhecidos pela mídia, seja por serem autores famosos ou pessoas que atuam em outras áreas artísticas, mas cujo nome é amplamente reconhecido, têm seus livros amparados por grandes editoras. Os novos autores, muitas vezes com obras de qualidade, têm dificuldade em publicar e divulgar seu trabalho. Desta forma, ser escritor neste país exige, além da capacidade de escrever, a tenacidade em perseguir o sonho de ver sua obra publicada.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Já havia publicado um conto em uma coletânea de uma editora paulista. Quando pensei em publicar meu livro, comecei a entrar em contato com editoras de pequenas tiragens. O nome Scortecci estava entre aquelas que pesquisei na Internet. O atendimento da Scortecci foi cordial, atencioso e atendeu às minhas expectativas.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Todo livro publicado traz um pouco do seu autor e deve e merece ser conhecido e divulgado. Já a construção do sentido, a identificação ou não com o que é relatado, isso se dá a partir do leitor. Ele é convidado a participar de uma história criada pela imaginação do autor e construir os significados que a sua própria vivência vai oferecer. Ao escrever os contos, a minha preocupação com o leitor é grande, principalmente porque nem sempre o texto é linear, há começos, recomeços, inversões e simulações nos enredos. Assim, em alguns contos, converso diretamente com o leitor, que é meu cúmplice, no desenrolar das histórias. Ele é figura essencial e está presente em quase todos os contos, seja por meio de um pequeno comentário, de uma interpelação, de uma introdução.
Aos meus leitores digo apenas que espero que gostem dos contos que a eles ofereço. Espero que a leitura faça com que se divirtam, que se surpreendam, que se emocionem e, principalmente, que reflitam sobre a vida e sobre os papéis que assumimos em nossa trajetória..

Obrigado pela sua participação.

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