segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

Entrevista com Silvana Lemes de Souza - Autora de: VIDAS: VIVIDAS, SONHADAS E PASSADAS

Sou poeta e educadora, também sou aluna e escritora. Na FAESP e UNIP, já fui professora! No universo da escrita o magistério me direcionou, na Pedagogia o desejo em pesquisar, na memória ficou. A Psicopedagogia em meu ser imprimiu, a sede do saber que de mim nunca mais saiu. Nos espaços da USP, aprendi a me encantar e nas diversidades do educom, aprendi a mediar. Na USF também minha história se fez e pela historiografia, eu me apaixonei. Na PUC querida, com grandes mestres convivi, foi assim que de uma certa forma eu renasci. Resolvi ao universo da tecnologia me apresentar e Comércio Exterior, passei a estudar. Na Fatec de Itapetininga eu me aventurei e em inúmeros projetos, então mergulhei. Até idiomas, comecei a estudar e em inglês, espanhol, italiano eu já sei me comunicar. Publiquei pela All Print, Lembranças: primeiras poesias e Crônicas do magistério e outros causos. Eles circulam em grandes livrarias. Pela Protexto, Sonhos: impressões e sentimentos, também publiquei. Pela Scortecci Editora, Vidas: Vividas Sonhadas e Passadas eu publiquei. Agora na literatura, meus pés eu firmei. Até em concurso literário já participei e o primeiro lugar eu já ganhei! A criança que em mim outrora viveu, ainda esta aqui, ela nunca morreu, nas poesias aqui contidas me apresento: Prazer, esta sou eu!

Tendo recebido o dom da inspiração em misturar palavras trazendo-lhes sentido das vivências de seu tempo, a autora consegue encantar pelo estilo da escrita que, embora clássico, se faz entender pelas pessoas mais simples, pelo fato de retratar a realidade com sentimentos que todos vivenciam no cotidiano.
Percebe-se, neste livro, as temáticas mais marcantes que a autora reporta sendo a primeira, já traduzida no “Lembranças: primeiras poesias”(...)Eis um motivo para transformação da alma provocando um estado de tristeza que, por vezes, tira a vontade de viver quando a saudade martiriza a alma no dia-a-dia. Mas, é através do sonho que, a espera infinita pela presença de quem não pode mais estar entre nós, acaba se tornando uma realidade fugaz. A genialidade da autora, por vezes, trata a solidão e a angústia da perda como algo que não é definido pelo gênero. Neste caso, a ausência materna pode ser entendida como ausência de qualquer outro bem querer.

Na segunda temática, “os amores”, a autora faz uma descrição do que seja amar alguém de modo concreto, intenso mostrando que existem momentos da vida em que as decisões não são nossas. O que acontece, muitas vezes, é força do destino. Perder os sonhos, seja qual for o momento da vida, sempre traz angústia e pesar, em especial os sonhos de menina, dos amores ainda não vividos, que se traduzem em mergulho numa solidão imensa. Perder os sonhos é possível, porém a esperança jamais. Impressiona, no entanto, o modo como a autora trata a condição do amor aplicada a uma pessoa que não se explica, necessariamente, por ser o companheiro conjugal ou, um outro, seja materno, paterno ou fraterno, pois o amor está sempre colocado como um sentimento superior, que se aplica a qualquer caso, conforme o sinta o leitor. Quem ama, incondicionalmente, tem medo de um dia perder esse amor ou, entre outras coisas, a sensibilidade por tudo aquilo que o reforça.
A terceira temática que reconheço neste livro é a “paixão”, um sentimento que nem sempre identifica o tipo de amor a que se presta: maternal, fraternal conjugal... não importa. O sentimento de que trata a autora é de pureza infinita, de quem não tem limites para amar, que ama de forma incondicional. A paixão pela pessoa amada vai além da esfera sentimental e se fixa na visão do corpo por inteiro, embora se revele, ainda, amor Platônico. O amor interpretado na loucura da paixão, entorpece, inebria a ponto de os sentimentos provocarem uma ilusão no cérebro, a confusão do real e do imaginário, do sonho e do desejo.
A quarta temática, provavelmente, seja uma consequência do momento em que vive a autora, de estudos num curso superior de tecnologia, são as questões de “dualidade”. Dois mundos a que estamos sujeitos carregam as polaridades da vida: razão e sentimento, bem e mal, amor e ódio, ter e ser. A autora contrapõe essas polaridades de modo sensível, mostrando a dualidade característica dos humanos. A transformação cotidiana da noite pelo dia, do inverno pela primavera, traz aos olhos a beleza e a magnitude da natureza renovada que, sentidas no próprio corpo as mudanças do clima, apontam detalhes de uma rotina cheia de imagens que revelam a presença de Deus.
Além desses quatro temas trabalhados de maneira intensa pela autora, sua versatilidade e inspiração são suficientemente fortes para que ela não tenha limites para se fixar em apenas este ou aquele tema, brindando o leitor com os mais variados assuntos, alguns polêmicos, inclusive, como é o caso da espiritualidade. Sem atinar para a existência de uma determinada doutrina, a autora admite o plano espiritual em que todo ser humano vai estar presente diante do seu Criador. A autora revela a sabedoria e maturidade do seu espírito, a intensidade da consciência de que Deus sabe o que faz, que nada é por acaso e que o amor incondicional é a única forma de bem viver. Viver sob os preceitos da fé nesse Deus é entender que só o amor nos traz felicidade plena.
Entre os diversos outros temas, a autora homenageia alguns de seus professores com poesias criadas a partir de suas aulas e, devo confessar, sinto-me lisonjeado, pois a partir de uma aula de Estatística, referindo-me aos aparelhos de medição, fui um dos homenageados. Comentei, na época, sobre a Física Quântica que traduz alguns dos princípios do Pensamento Complexo, de Edgar Morin: o elétron, sendo energia e partícula, não pode ser encontrado no mesmo lugar do espaço uma segunda vez o que impede qualquer tipo de medição exata em valores quantitativos. Os mais brilhantes cientistas, neste momento, se rendem a Sócrates com a famosa “só sei que nada sei”. Assim, em “quase nada” o leitor vai poder sentir a inspiração da autora traduzindo seus sentimentos sobre o que seu espírito vivenciou naquele momento, da nossa aula. Portanto, sem mais delongas, com a palavra a autora, Silvana Lemes de Souza, com sua sensibilidade e inspiração para preencher nosso espírito de leveza com suas rimas de vida, vividas intensamente.
FERREIRA, C.de M.L.

Olá Silvana. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
É um livro de poesias que retrata as diversas faces do amor, o amor que encanta e faz chorar, o amor que se expande e retrai, o amor que faz pensar e sonhar, o amor que preenche o coração e o que dilacera de tanta saudade, enfim, o amor que transcende o tempo e as vidas. A ideia em escrever e publicar surgiu de forma incomum. Logo após a minha mãe ter desencarnado, comecei a me desabafar em forma de escrita, todas as noites e momentos de dor eu escrevia em meu celular, até que chegou uma noite em que fui digitar o que sentia e a memória do aparelho estava cheia e não pude registrar. Não tive coragem de apagar, resolvi então passar tudo o que estava no celular para o computador. Foi então que percebi que tudo o  que havia escrito eram poesias. Continuei digitando no celular e quando sobrava tempo passava para o computador. Uma certa manhã em que fui lecionar no curso da Pós Graduação, ao ligar o computador para passar a pauta do dia para as alunas, elas perceberam que eu não havia fechado o word e apareceu a poesia. Elas pediram para ler e ainda insistiram que eu deveria publicar um livro. Relutei e elas insistiram que ao menos eu publicasse num site. Comecei a publicar no site e recebi muitos comentários de outros escritores. Assim surgiu a vontade de publicar. Esse livro está voltado ao público adolescente e adulto.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Passei uma grande parte da minha infância vivendo em cidades pequenas do interior paulista e também em sítio, passei minha infância ao lado das minhas irmãs e muitos primos, a maioria meninos, brincávamos o tempo todo. O contato com a natureza moldou minha personalidade e minha forma de viver, pensar e conviver. Os insetos eram amigos, as espigas de milho as bonecas e as tampinhas de garrafas as rodas dos caminhões que eu fazia para brincar. Balançava em balanços imensos feitos com pneu. Cheguei a construir uma casinha rudimentar em uma mangueira imensa. As cordas na árvore eram meus cipós, me sentia um verdadeiro Tarzan. Esse contato com a natureza e com os animais marcaram definitivamente minha vida, tanto que hoje em minhas poesias, eu sempre faço minhas reverencias à natureza, enaltecendo-a em sua plenitude, pois é dela que extraio minhas energias e forças para sobreviver a esse mundo repleto de incoerências.
O livro VIDA: Vividas, sonhadas e passadas é o meu quarto livro e após a escrita do primeiro e minha primeira viagem aérea para a Bienal Internacional do Rio, descobri duas grandes inverdades: 1, o céu não é o limite e sim o ilimitado, pois a visão que temos do chão e a do alto, são completamente diferentes e te levam ao questionamento: “O que existe além do que os meus olhos não alcançam?”; 2, A realização plena também não existe, ter filhos, plantar uma árvore e escrever um livro não encerram um sonho ou uma vida, apenas abrem novos portais. Você precisa ter filhos e conseguir encaminha-los no rumo do bem e se possível poder ainda ver os frutos de sua descendência. Se plantar uma árvore deverá cuidar dela para que ela te de muitos frutos e você possa saborear cada um deles, cuidando para que ela viva para sempre. Após escrever um livro, vem o desejo do reconhecimento literário e a vontade insaciável de escrever mais e mais, enfim, nada se esgota.
Agora firmei meus pés na literatura e desejo receber os prêmios Jabuti, João de Barro e todos os outros que for capaz.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Bom, como todo bom brasileiro, não desisto em crer que a educação e os livros podem mudar o mundo. Apesar da pouca visibilidade, acredito que as novas gerações ainda irão resgatar o gosto pela leitura, pois estão nelas ainda o sonho, a fantasia, a imaginação, o desejo de conhecer o desconhecido. Acredito que o caminho é esse: investir na literatura infanto-juvenil, para que as crianças não deixem a escrita morrer.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Participei de concursos literários, inclusive o concurso de poesias da Asabeça, depois disso acessei o site da editora, conheci as obras e o trabalho desenvolvido. Dessa forma solicitei informações pelo site e fui prontamente atendida, agora pretendo ser freguesa da Scortecci.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Esse livro não só merece como deve ser lido! Por um único motivo: “As poesias de fato cumpriram o seu papel, ou seja, tocaram a alma humana!” Nesse livro o leitor poderá se identificar com uma ou mais poesias, posto que, elas falam sobre as diversas faces do amor em sua plenitude, seja ele no auge da alegria como no auge da dor, retratam os sentimentos em sua totalidade e profundidade. Uma das poesias aqui contida, foi uma declaração de amor que fiz a alguém especial, assim que essa pessoa leu a poesia, ela o tocou de uma forma tão profunda que ele decidiu se despojar da sua história atual e ir em busca do sonho do amor verdadeiro que havia ficado no passado. Ele leu, se apaixonou, agradeceu o amor que eu sentia por ele e ainda acrescentou que havia sido tocado pela poesia e ela reacendeu o amor que sentia por outra pessoa, disse ainda que a poesia deu a ele coragem para deixar tudo e ir em busca do amor do passado. Embora o efeito desejado não tenha ocorrido, esse livro deve e merece ser lido!

Obrigado pela sua participação.

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