quinta-feira, 2 de junho de 2016

Entrevista com Marcos Arduin - Autor de: A PEQUENA ORFÃ

Nasceu em São Paulo em 14 de abril de 1958. Estudou em escola pública, fez graduação e pós-graduação em Botânica no IB-USP. Ingressou no Depto de Botânica da UFSCar - São Carlos em janeiro de 1995 e ainda permanece como professor adjunto. É espírita e estudioso de assuntos ligados a esta filosofia.

Alexander é filho único, de família rica, porém solitário e esnobado por colegas da escola por ter uma deformação no rosto. Porém faz amizade com Tissinha, menina órfã e maltratada. Uma noite ela busca refúgio com a família de Alex após ter sido muito surrada. Alexander sonha com Jesus e este o aconselha de como conseguir que seus pais a aceitem em sua casa graças à ajuda de um padre amigo. Seu sonho de ter uma irmã se realiza. Mas Tissinha sonha conhecer sua mãe e Alexander promete-lhe levá-la até ela, caso a encontre. Isso acontece e Alexander vê-se confrontado com um drama: ou realiza seu sonho de ter uma irmã ou realiza o da Tissinha, de conhecer sua mãe, que a levará embora. Não pode realizar os dois em conjunto e essa será a sua luta: deve enganar a mãe de Tissinha e ele ser feliz com ela, ou deve cumprir sua promessa e assim voltar à sua vida solitária?
Essa história vai de meados da década de 1970 e avança até 2002.
Este romance é de caráter espiritualista, já que não é psicografado, porém está de acordo com a Doutrina Espírita.

Olá Marcos. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
O livro é de temática espírita. No início da história, o protagonista é um menino de família rica, porém solitário e faz amizade com uma menina órfã e maltratada. Com um envolvimento espiritual em sonhos, consegue malandramente que seus pais aceitem a menina em sua casa. Aqui coube uma licença poética minha, pois sendo católico o personagem, ele sonhou com Jesus. Algo que talvez os espíritas questionassem. Ter aquela menina como irmã é o que precisa para ele ser feliz e ter um lar também é o que a menina deseja. Mas ela também tem o desejo de conhecer sua mãe e faz o garoto prometer-lhe que, se soubesse dela, contaria tudo.
Meses depois isso acontece e agora ele é confrontado com o dilema: leva a mãe da menina até ela e assim a garota partirá, destruindo o seu sonho de ter uma irmã, ou faz de conta que de nada sabe e aí preserva a felicidade dele, mesmo sendo por uma fraude? Ele terá de fazer uma escolha entre o Bem e o Bem, pois se fica com ele, o fará feliz e terá tudo do bom e do melhor em matéria de conforto e educação. Se ficar com a mãe pobre, terá realizado o desejo dela, mas suas condições de vida provavelmente não serão boas. Na história é revelado que em vida passada, ele havia sido confrontado com um dilema semelhante, com o mesmo espírito encarnado na menina. A escolha feita naquela vida não teve um resultado feliz. Ele agora terá de decidir, inconscientemente é claro, se repete o erro ou se redime. Esta é a visão espírita do progresso espiritual. Não há salvação como é vista em várias religiões. Cada espírito é artífice de sua própria felicidade ou desgraça.
A ideia de escrever esse livro exige um texto mais longo. É interessante como não tenho exatamente ideias próprias, originais, saídas só da minha mente. E sei que não estou sozinho quanto a isso. O Chacrinha já dizia: _ Nada se cria, tudo se copia.
Quando fazia graduação no IB-USP, passava na Record o seriado Os Pioneiros, baseado em romances autobiográficos escritos por Laura Ingalls Wilder. Acabei por comprar os livros desta série e no meio dela, é relatado que a irmã mais velha da autora contraiu escarlatina e ficou cega. Tive de interromper a leitura para atender à minha mãe e ao retomá-la, em 20 minutos veio em minha mente a visão de quatro encarnações precedentes da moça que ficou cega. Nos meses seguintes escrevi todo um livro sobre isso, mas ainda o estou deixando no forno. Quem sabe mais adiante eu me anime a publicá-lo.
Antes disso ainda, quando era adolescente, tomando por base o livro Os Meninos da Rua Paulo, escrevi outra história envolvendo um “quebra-pau” entre dois grupos de garotos. Essa história foi bem bobinha, mas estou pensando em retomá-la em breve, porém num contexto bem diferente. E talvez me cause muita dor de cabeça, pois a proposta agora é que seja politicamente muito incorreta.
Quanto ao romance A Pequena Órfã, conforme coloquei na explicação, em 2008, quando a novela lançada pela Excelsior fazia 40 anos, pintou-me a inspiração para escrever o romance. Eu não vi a novela e nem conheço o enredo. Ao que parece o filme A Pequena Órfã, feito por Clery Cunha, é um resumo muito mal montado da novela. Mas o que escrevi nada tem a ver e por isso já deixei os leitores avisados para que não se sintam enganados.
Esse lance de sair histórias da cabeça a partir do que outros escrevem está acontecendo agora com a Turma da Mônica Jovem. Imaginei que poderia escrever fanfictions ou fanzines. É algo a pensar.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Já escrevi duas histórias que podem eventualmente vir a ser publicadas. Já sou co-autor de um livro, mas é de área técnica em Biologia. Nada tem de romance. Vou ver o que vem pela frente. Não é minha intenção parar só neste livro não, já que tenho coisas ao menos esboçadas e no papel.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Pelo que já ouvi de autores, como o Ricardo Ramos, escritor brasileiro que vive só dos seus livros é coisa mais rara que cometa. Normalmente eles têm uma outra fonte de renda mais constante e escrevem em momentos “de folga”.
Ah! A leitura… Eu sempre me irritei com obras cheias de termos “cultos”, que custavam a ser entendidos. Só no primeiro capítulo do livro Nosso Lar (André Luís – médium Chico Xavier) eu topei com seis termos que não encontrei num dicionário escolar, tão fora de uso que eram. E agora a leitura está chegando num ponto em que, mesmo usando da linguagem e termos mais comuns possíveis, corre-se o risco de muitos jovens não entenderem o que eu quis dizer.
A qualidade do nosso ensino está num nível tal, que uma formanda licenciada em Física na UFSCar foi dar aulas numa escola em Leme para uma turma de terceiro ano de ensino médio (aquela que vai fazer o ENEN…). Se ela quisesse reprovar a turma inteira, bastava passar um problema de Física onde tivessem de fazer uma conta de dividir: NENHUM ALUNO SABIA FAZER ESSA CONTA. E finalmente começaram a chegar à Universidade os alunos que, durante os ensinos fundamental e médio, foram aprovados por decreto. Eles não sabem ler e entender um texto, já teve aluna me perguntando onde fazer um cursinho, pois não conseguia acompanhar as aulas… Teremos nós escritores alguém suficientemente alfabetizado para ler o que escrevemos em mais alguns anos?

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Pelos cursos que fiz na Escola do Escritor.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Em seu livro Minha Vida, do Lee Iacocca, discutiu-se aquela acusação de que a indústria automobilística obrigava o povo a comprar carros do jeito que as montadoras queriam. Ao que Lee dizia com um sorriso: _Quem dera isso fosse verdade. _ Ele bem o sabia: só se pode vender o que o povo quer comprar. Mais seguiam o consumidor do que tentavam direcioná-lo.
Assim, eu só posso saber se meu livro agradou se houver muitos leitores interessados. São eles que vão fazer a propaganda de verdade. Não alimento assim tão grandes expectativas, pois tenho de admitir que meu livro é uma historinha “água com açúcar”, onde tentei por sal, pimenta e coisas politicamente incorretas para dar um suspense, uma surpresa. Tal exatamente por essas colocações ele não tenha sido aceito por uma editora espírita. Os romances espíritas devem ser muito politicamente corretos...
Ao apresentar um dos bonecos a três colegas espíritas, uma delas comentou: _ Eu já ri, eu já chorei, já ri, já chorei. _ Esse foi o meu estilo de mesclar situações dramáticas com eventos cômicos. Como a obra reflete o modo de pensar do protagonista (e meu também), não falei bem dos gênios intelectuais esquerdistas e fui chamado à atenção sobre isso, pois não seria bem verdade o que se disse na obra sobre eles. Coloquei a visão do personagem e não quis mudar quanto a isso.
Creio que no momento atual estamos vivenciando uma reviravolta no pensamento da sociedade. Quem acreditou que um partido de esquerda no poder traria a justiça e a felicidade social prometidas, sabe agora que tudo foi só ilusão. A chamada direita, que estava escondida no armário, está se mostrando agora. A minha obra é mais do gosto da turma da direita pela posição política do protagonista, já que é filho de quem viveu o Socialismo real e não de alguém que foi doutrinado na crença de que o Socialismo é lindo e maravilhoso. Enfim é uma história que mostra que agir certo, no fim das contas pode valer bem a pena. Essa é a mensagem que quero passa.

Obrigado pela sua participação.

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