quinta-feira, 7 de julho de 2016

Entrevista com Haino Burmester - Autor de: A MALDIÇÃO DE LA MALINCHE

Haino Burmester
É descendente de europeus emigrados para o Paraná no final do século XIX. É médico e administrador de empresas, com diversos livros técnicos publicados, sendo este seu segundo romance (o primeiro foi O Gajão Cigano, publicado em 2013 pela Chiado Editora, de Portugal). Viveu no México entre os anos de 1969 e 1971, tendo desenvolvido, durante esse período, uma grande paixão e admiração pela vida e cultura daquele país. Fruto desta vivência é o conteúdo de A Maldição de La Malinche. Da convivência com descendentes dos antigos indígenas mexicanos, veio a percepção da força que as lendas e mitos têm como motores da existência e a compreensão de como ficção e realidade se interpenetram e complementam na história e cultura dos povos. A trajetória do autor o levou a morar, em diferentes fases de sua vida, além do México, nos Estados Unidos, Trinidad e Tobago e Inglaterra (onde fez seu mestrado em Medicina Comunitária, na Universidade de Londres); atualmente vive em São Paulo, com sua mulher Regina.

No “México profundo” se registravam marcas indeléveis de uma cultura marcada pelo misticismo e pelas crenças populares. A maldição de La Malinche era, e é até hoje, umas das lendas que perpetuam essa cultura e que perdura com componentes míticos na história, arte, cultura, literatura e linguagem mexicanas. O livro enfoca o papel dos mitos nas histórias dos países e como eles podem ser manipulados por diferentes interesses e servindo a vários propósitos, nem sempre defensáveis. Porque La Malinche se tornou amante de Hernán Cortez (o conquistador do México, no século XVI), sua confidente e intérprete, acabou vilificada como traidora da pátria, sendo seu nome ainda hoje, considerado por muitos como sinônimo de colaboracionista e entreguista. 
O legado real dela, contudo, permanece como o da única mulher que participou da aventura da conquista do México pelos espanhóis e assumiu seu papel de protagonista nos eventos daquela época; mulher valorosa e destemida que não se intimidou diante das agruras daqueles tempos. O livro explora a possibilidade de que ela tenha feito muito mais na sua vida do que a literatura até hoje registrou. A ficção do livro a considera, talvez, como uma defensora dos direitos humanos por ter evitado grande número de sacrifícios e atrocidades contra indígenas na época da conquista.
Também pode ser considerada como uma precursora de movimentos feministas por ter sabido usar seus predicados, sua inteligência e capacidade de articulação para circular livremente, com desenvoltura, entre diferentes culturas e idiomas da época como a espanhola, maia, chichimeca e asteca e tirar proveitos disso para a coletividade indígena. Ela teve, ainda, um papel importante na imagem e na definição da identidade da nação mexicana; por ter tido um filho com o conquistador, o primeiro mestiço de uma índia com espanhol, ela é considerada, por alguns, como a mãe da nação mexicana.

Olá Haino. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Uma ficção baseada na vida de La Malinche, uma índia mexicana que foi entregue como escrava para Hernan Cortes, o conquistador do México, e acabou se tornando sua amante, confidente e tradutora, uma vez que falava dois idiomas nativos (quiche e náhuatl) e aprendeu rapidamente o espanhol. Por sua atuação junto ao conquistador foi considerada como traidora, a tal ponto que a palavra "malinchista" se tornou quase sinônimo de traidor ou entreguista no espanhol falado no México e em alguns países da América Central. A ideia de escrever o livro se deu em função de minha estada no México de 1969 a 1971, quando tive oportunidade de conhecer a história de La Malinche e de todas as lendas e mitos que se formaram sobre ela. O livro se destina ao público em geral especialmente aqueles interessados em história (e na etno- história) da América Latina e que se interessam pelas lendas e mitos como manifestações da cultura dos povos.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Já escrevi alguns livros técnicos e este é meu segundo livro de ficção (o primeiro foi "O Gajão Cigano" lançado pela Chiado Editora de Portugal. Pretendo seguir escrevendo ficção (assim como sobre temas técnicos)como forma de compartilhar minhas experiências e minha visão de mundo sem outra pretensão do que oferecer entretenimento e motivos para reflexão sobre os motores da existência.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Escrevemos para os leitores. Se eles são poucos ou muitos não interessa desde que consigamos deixar, em pelo menos um deles, algo instigante que o faça refletir sobre sua existência e sobre sua trajetória na face da terra. Por óbvio: se eles forem muitos, será melhor. Nação sem cultura fica ameaçada em sua própria essência, portanto, quanto mais leitores tivermos mais forte será a nação.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Pelo site.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Claro que sim. Tem entretenimento; tem ensinamentos; tem oportunidade para desenvolvimento intelectual, emocional e social.
A mensagem: leiam; gostem; divulguem; e entrem em contato comigo para que eu possa ter suas reflexões e sugestões. Um abraço, Haino.

Obrigado pela sua participação.

Um comentário:

  1. Gostaria de obter esse livro. Já encomendei, mas obtive a devolução do pagamento porque não chegou na livraria em questão. Gostaria também do email do professor Haino, porque Malinche é meu objeto de pesquisa no doutorado. Meu email é dorishssg@gmail.com

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