quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Entrevista com Carlitos de Menezes - Autor de: RASCUNHOS

Carlitos de Menezes
Nasceu em São Paulo em 1984. Começou a escrever por acaso, sem compromisso até descobrir que o hobby tornou-se algo serio. É leitor ávido de todos os gêneros e estilos literários e fã de histórias cotidianas que inspiram gente como a gente.






A viagem não terminou e não terminará tão cedo.Melhor assim pois, a conversa filosófica da vida continuará firme, seja através das pessoas ou no silêncio dos pensamentos, tentado transmitir através da escrita rabiscadas nas folhas de rascunhos...









Olá Carlitos. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
O livro é livro inspirado na “conversa alheia”, no bom sentido. Conversas presenciadas e, que aconteceram nos corredores de empresas e festas, finais de tarde ou de semana, happy hours, cafeteria, aventuras insanas pelo mundo desconhecido, nas visitas de residências simples de amigos e familiares, viagens diárias no transporte público e rodoviário...tudo com pessoas conhecidas ou que conheci (fazendo inclusive novas amizades) casualmente num dia e hora qualquer, sem me recordar uma data especifica. Fico com os ouvidos atentos pois, falo pouco (ou quase nada). E no silencio da minha voz, ouço, beberico e me embriago (muitas vezes inspirado) pelos pensamentos e pontos de vistas de pessoas que não contavam apenas “causos presenciados do seu cotidiano”, mas, sim o que pensavam ou sentiam. Percebo que o Ser humano é inquieto por natureza, até os mais tímidos ou menos falante numa roda de “faladores”, possui mentes que fervilham a todo vapor na sua essência e característica única.
A maioria das histórias que presenciei eram sempre acrescidas com doses de humor ou filosofia, ganhando mais destaque e riqueza no seu conteúdo. E também tive momentos de protagonismo, participando indiretamente. No final das contas, aquelas conversas ficavam tão vivas na memória que, mesmo nos estados de embriaguez total que tive diversas vezes, conseguia reunir forças internas sabe-lá-de-onde- vinham para procurar lápis ou caneta e papel e, reproduzir as conversas na sequência que eu bem entendesse. E foi assim (e continua até hoje) durante muito tempo.
Escrevia sem compromisso, preocupação ortográfica e sequência cronológica. Escrevia por escrever nas madrugadas, porque era nestes instantes que as histórias me acordavam e obrigavam sair do anonimato da mente, exigindo ser protagonistas nas folhas de papel independentemente do tipo ou estado. Guardava os rascunhos escritos sem ler e, curiosamente quando reencontrava, não acreditava que havia escrito aquilo, nem mesmo meus familiares que sempre me perguntavam em que lugar tinha copiado.
Difícil mensurar se foi proposital pois, acontecia natural e espontaneamente sem planejamento do que viria a ser anos mais tarde com a reunião dos rascunhos através de uma obra única. Embora pareça fácil, o esforço foi intenso porque a ideia que a sequência fosse simples, impactante, direta e rápida de ler, destinando o livro para leitura de todas as faixas etárias, principalmente àqueles que gostam de participar de uma boa prosa (a filosofia cotidiana alheia).

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Moro na periferia de São Paulo. Tenho pele escura e deficiência física. Comecei a andar de forma independente somente aos 15 anos. No início, nada de contos de fadas.... Determinado momento, confesso que me revoltei com minhas limitações física e visual (tenho cegueira no olho direito), questionava diretamente dizendo: “por que eu? ” Por que tanto sofrimento? Será que Deus existe mesmo?  Mas, graças a religiosidade, paciência e ensinamentos dos meus familiares, aos poucos, fui modificando meus pensamentos trocando os ruins pelos bons e, me transformei no ser humano mais compreensivo, mais aprendiz, mais persuasivo, passando a perceber que nada é por acaso e tudo tem um motivo obvio, um proposito que enxergamos somente com o tempo.
Refletindo sobre minha trajetória, tinha tudo para dar errado e ter um caminho obscuro, mas, no final das contas percebi que o verdadeiro escritor da vida (Deus) modificou os capítulos da minha existência dando novos roteiros. E Deus gosta de “aprontar” comigo rs pois, os testes que ele envia, avaliam meus reais limites e capacidades dando ensinamentos muito ricos no final das provas de fogo.
Tenho planos de divulgar outros livros, mas, o projeto mais desafiador e que me deixa inquieto a todo instante é a “Sociedade dos Escritores Anônimos” que tem o propósito de divulgar autores independentes e ajudar na exposição de suas obras a todas as tribos possíveis. Lançar o livro “Rascunhos” além de realizar um sonho -inclusive de estar presente na Bienal do Livro -, também foi sentir na pele todas as dificuldades que os autores independentes passam.
Os outros projetos de vida (filhos e plantar arvores) não sei se serão concretizados pois, dependerão da decisão do roteirista divino.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Demorou cair a ficha (por semanas) quando o livro que se materializou fisicamente nas mãos era da minha autoria. E mais esquisito ainda foi abri-lo, ler os dados do autor e ver a própria. Leio muita coisa e avalio tudo que absorvi. Agora o lado mudou e, serei o avaliado. Ainda, não percebi a repercussão, mas, as primeiras perguntas já estão no meu pensamento: Será que meus leitores vão gostar? E será que eles leriam as futuras obras que publicarei?
Deve ser a pergunta que todo escritor faz em frente ao espelho.
Ser escritor no Brasil é a mesma sensação vivida em qualquer profissão escolhida por um simples mortal: sem glamour e vida fácil.
Numa empresa, não existe promoção sem demonstração prática do seu repertorio profissional. Você pode falar bonito, mas, quais projetos você implantou? Quanto de faturamento de vendas nos negócios conseguiu? Quais seus diferencias que façam as pessoas do seu setor confiarem em você?
Não existem bons escritores com manuscritos guardados, se eles não divulgarem suas obras nos recursos que temos atualmente (redes sociais por exemplo) permanecerão no anonimato.
Mas, tem aqueles que publicaram em todos os caminhos possíveis e não tiveram retorno esperado. Por que?
Acredito que a forma de divulgação é muito parecida e o leitor brasileiro gosta de impacto, querem inovação e obras únicas.
Discordo da tese que o brasileiro não gosta de ler. A prova disso, que os eventos literários estão sempre cheios e as livrarias (poucas por sinal) também.
Conheço iniciativas de escritores independentes que embora não possua suas obras disponibilizadas nas principais livrarias, buscam outros meios de divulgação como vendas em parques, vagões de trens, nos centros movimentados das cidades...Escritor deve ter mentalidade empreendedora, demonstrando na pratica que o seu produto é bom:  ofertando, insistindo, vendendo e mostrando que aquela obra literária é o melhor bestseller que ainda não foi visto.
Poucos escritores serão abençoados de viver confortavelmente e financeiramente de literatura. Mas, sobretudo se o escritor conseguir estimular a leitura de sua obra para quem não tem o habito da própria leitura, modificando-a sua forma de pensar para algo positivo, independentemente do número (seja reduzido ou não) será o maior troféu, pódio, gratificação moral que ele pode ter na vida e, dizer que as suas palavras foram imortalizadas naquela pessoa.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Foi através de indicação de um autor (Evandro Daolio) no qual eu li uma obra dele, solicitei algumas dicas de divulgação e ele acabou me indicado a editora (falando muito bem dos seus serviços).

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Todo livro merece romper fronteiras, porque as palavras descritas anseiam para serem lidas. Um livro guardado não pode ser apenas objeto de decoração e, sim de transformação no cotidiano do leitor que precisa que sua mente seja sempre estimulada.
No livro “Rascunhos”, embora os textos foram escritos na linguagem filosófica, o leitor se identificará e até se questionará consigo mesmo como: Ué, esta história eu já vi em algum lugar!
Na aquisição da obra, para estimular o legado que todos nós devemos deixar no mundo, disponibilizo sem acréscimo adicional de valor um pingente livro (que o leitor poderá foto de quem ele ama) e uma semente de arvore para devolver a natureza que infelizmente, nos destruímos.

Obrigado pela sua participação.

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