quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Entrevista com Márcio Brandão - Autor de: HAIKU

Nasceu em Salvador em 1971. Bacharel em Comunicação Social, criou projetos culturais nas área do teatro e qualidade no atendimento empresarial.
Esportista é apaixonado pelo surfe e a filosofia do yôga. Em uma queda por literatura decidiu escrever poemas voltados à arte poética japonesa, o Haiku, forma em três versos onde é possível desenvolver, em curtíssimo espaço, a capacidade de passar a ideia de sentimentos ao próximo e a natureza.



Alguma vez já deve ter ouvido falar em haicai. Se não, parabéns! Você ira começar na origem histórica. Aprenderá sobre grafia, seus significados e significantes. A semântica de forma "nua e crua".

Caso seja uma pessoa que gosta de escrever nesse estilo poético, aprenderá como fazê-lo em sua forma correta. Já para um admirador do haicai este livro traz algo diferente, um pouco de emoção e cultura o que nunca é demais.
Se for um bom observador, você deve questionar agora por que o autor colocou Haiku na capa e usa a palavra haicai. Esse será um segredo meu e seu ao longo da leitura. Páginas adentro iremos pelo caminho certo!

Olá Márcio. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se
destina sua obra?
O livro é um reflexo do desejo de apresentar alguns dos meus poemas em Haiku, a poesia japonesa. Voltando às raízes nipônicas, busquei a forma mais adequada para escrever, onde muita coisa é dita em apenas três versos. Com ele retorno às origens, desde o séc. XV ao XVIII. Me fascinei por essa poesia há mais de oito anos e passei a estudar sobre o tema. Ao decidir escrever me baseei sob a égide de quatro poetas importantes, o que me auxiliou a classificar os períodos onde cada um deles viveu e teve a sua influência. O livro é dividido em três partes, consideremos que a primeira parte é tomada em pesquisas, uma forma histórica, onde falo do início de tudo no Japão com os primeiros haijins (poetas do Haiku). A segunda, com um pouco de ousadia e coragem de aprendiz, mostro a minha arte em tercetos japoneses, o Haiku e na sequência, o leitor é levado a conhecer de maneira didática como ele também pode vir a ser um haijin, aprender e criar seus poemas voltados à natureza, aos sentimentos e experiências desde uma simples flor que brota, a um imenso tornado avassalador. Tudo em três versos de dezessete sílabas, rigorosamente como tudo começou há séculos atrás.
A ideia de escrever o livro surgiu há uns quatro anos. Eu já publicava meus poemas há mais tempo ainda no twitter e quando percebi, já tinha um bom número de tercetos, muito mais até que no livro. Um dia ao ler obras do ícone da geração beat dos anos 60 nos EUA, Jack Kerouack, vi que eu não era o único que tinha um fascínio pelo Haiku, foi quando resolvi me aprofundar no assunto e pesquisei mais a respeito, achei que precisava expor o meu Haiku para o público, não deixar em uma mesa de computador ou apenas em redes sociais, gosto de livros e sei que outros também. A arte, seja ela qual for o gênero, deve ser para o público e então surgiu esse livro de poesia.
Esse livro está voltado para aqueles que admiram a poesia em sua essência. É diferente e polêmico onde apresento a necessidade da fonética e pronúncia correta do substantivo e sua grafia. Ele é voltado também para aqueles que desejam aprender algo novo, mergulhar profundo nas regras do Haiku e quem sabe até escrever algo assim. O Haiku está no dia a dia, na luz do sol, na água do mar, no vento que sopra, nas estações do ano, em tudo que o planeta nos oferece. Claro que alguns Haiku irão aparecer sem algum desses temas mas classifico isso como um “deslize de aprendiz”, um dia quem sabe tornar-me-ei um haijin de fato. O processo evolutivo é um aprendizado.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Sou bacharel em Relações Públicas mas não exerço a função e como a formação é ligada à Comunicação Social fica fácil perceber o meu gosto na área de letras onde os signos, significantes e significados, dentre outros temas, fazem parte da minha vida. Fora dos estudos sou esportista, gosto de surfar, correr, exercitar o corpo de uma forma geral. Pratico Yoga há 30 anos, a filosofia oriental me fascina. Gosto de ler e escrever também. Espero que “Haiku...” não seja o único que venha a público, como citei anteriormente, tenho outras centenas de tercetos japoneses, quem sabe um segundo livro poderá surgir? Realmente, ao finalizar a obra e ler parecia não ter sido eu quem a fez, me surpreendi comigo e fiquei feliz. Sou um tanto rigoroso e outro livro sobre o tema só pode vir se for de uma forma mais atrativa ainda que este primeiro. Existem algumas obras inacabadas, assim como crônicas e contos, e sobre ser um dos sonho realizados, sim o é, mais prazeroso será ainda se o público aceitá-lo, esse seria o maior estimulo para dar continuidade ao trabalho de escritor.
O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Tenho poucos amigos escritores, mas não deve ser fácil viver apenas de livros, a não ser quando ocorre o lançamento de um best seller muito atrativo e assim dar a continuidade com uma obra sequencial, em períodos curtos, enquanto seu público está encantado com o trabalho. O grande passo para ser um escritor renomado é ser reconhecido e essa resposta sã o seus leitores que darão. Não adianta lançar seu livro e esse ficar encalhado nas prateleiras e mostruários sem atrair o público. Na minha pré-adolescência o incentivo a leitura começava na escola, só pra citar alguns autores que faziam parte desse cotidiano, e que marcaram, foram Lúcia Machado de Almeida, Machado de Assis, José de Alencar, Monteiro Lobato, dentre outros. Tínhamos de ler as obras deles e fazer prova ao final das leituras. Isso agrega, desperta o interesse do aluno de um modo geral. Não sei como se dá no ensino atual mas quando vejo as matérias nos jornais onde alunos desafiam professores, discutem na sala e impedem a fluência do aprendizado, tenho dúvidas se há o incentivo à leitura no Brasil. Hoje vivemos em um “mundo instantâneo”, onde se perde um bom tempo do dia através dos smartfones nas redes sociais e TVs a cabo. Os livros nunca vão morrer mas têm um espaço reduzido atualmente. Já não é fácil para escritores experientes e conhecidos imagine para quem está iniciando. O custo de um livro não é barato. Quem começa tem de investir alto, o percentual no ganho das vendas em parcerias com editoras e livrarias também ainda é alto para elas e menor para os novos. Poderia haver uma forma de auxiliar os iniciantes com valores mais equilibrados na partilha do preço final numa primeira edição talvez.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Pela internet, procurei por uma editora que permitisse publicar o livro de forma independente e a Scortecci foi um dos links atrativos que descobri.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Sim, claro! É um livro que abrange três aspectos. Sendo redundante, no início existe um pouco da história desse estilo poético, na segunda fase do livro exponho também a minha poesia nessa estilo de escrever em 17 sílabas, o que não é fácil mas é envolvente para o autor e principalmente para quem ler. O leitor poderá interpretar e visualizar os fatos de forma singular, cada pessoa poderá ver um terceto de uma forma, essa é a magia do Haiku. Por último, na terceira parte entra a explicação, a maneira didática de como deve ser feito o terceto, desde uma forma livre de escrever sem rigor algum mas em busca de uma inspiração levo o interessado a criar o seu Haiku como se lapidasse um diamante, fazendo cada parte milimetricamente perfeita para o público. Nessa parte existe o rigor das dezessete sílabas, há a transformação de um poema longo em outro de uma quantidade certa de sílabas em determinado verso. Assim num trabalho de profunda imersão pela atenção dada à técnica de escrever há a necessidade da síntese e profundidade, o leitor que gosta do Haiku e pela experiência que tem verá que muitas coisas que já escreveu não foram um Haiku de fato, mas um poema em três versos (terceto) e ao terminar a última página terá a consciência de escrever de maneira adequada. Assim sendo poderá rever sua poesia e concentrado, transformá-la num terceto japonês. O Haiku deve ir fundo na alma do leitor, tocá-lo de forma arrebatador.

Obrigado pela sua participação.

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