segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

Entrevista com Renata dos Anjos - Autora de: DIAS DE SOMBRA DIAS DE LUZ

Nome literário de Renata Mendes Naspolini dos Anjos.
Nasceu em Taguatinga, área da cidade de Brasília, no Distrito Federal, em agosto de 1982. Nessa mesma cidade cresceu e estabeleceu seus rumos profissionais. Formou-se em Psicologia pela Universidade de Brasília (UnB) no desejo de melhor compreender os processos de formação da subjetividade. Sua paixão pela escrita fez, entretanto, com que ela passasse antes uma temporada de três anos na faculdade de jornalismo dessa mesma universidade. Descobriu a poesia apaixonando-se por autores como Álvares de Azevedo, Goethe e Augusto dos Anjos, poetas cuja visceralidade dos versos lhe traziam grande encantamento. Aos dezesseis anos, começou a escrever seus próprios poemas que, à época, serviam para expressar os turbulentos sentimentos da adolescência. Após seus 30 anos, já casada e mãe de dois filhos, Renata retomou o hábito de escrever poesias. Escrever tornou-se um recurso de enfrentamento de um quadro de depressão recorrente que lhe tirava a vontade de viver. A leitura enriquecida por outros autores juntou-se à vivência dos anos e amadureceu sua escrita, bem como sua vontade de ver concretizarem-se os frutos de seus devaneios literários que têm, com este livro, sua estreia.

O livro e seus poemas seguiram a ideia de uma divisão complementar. Como uma árvore que recebe em si os luminosos raios solares e, esplêndida, exibe suas cores ao mundo sem deixar de projetar sobre o solo a forma de sua sombra, também nossas vidas são compostas por estes lados inseparáveis de sombras e luz. Sombras, aquele lado de formas indefinidas, caminhos etéreos, imagens vagas, onde buscamos entender a que, afinal, se refere e qual relação mantém conosco. Onde, se nos mantivermos, apenas focados nessa escura mancha disforme, somos capazes de esquecer de onde ela veio, do que faz parte, até o momento de entrega onde iremos crer não ser ela nada, nem mesmo nós. Mas, se capazes formos de, por um instante, levantarmos os olhos e absorvermos o cenário completo que há, saberemos não só de onde surge a sombra, mas também a sua complementariedade intrínseca que é a bela imagem definida, colorida, leve, viva e prática. Em verdade, ambas são belas, sombra e luz, se capazes formos de deslizarmos os olhos por uma e por outra e absorver de cada qual aquilo que oferece.

Olá Renata. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Dias de Sombra Dias de Luz é um livro de poesias que aborda temas diversos e de extrema sensibilidade, como vida, morte, amor e o próprio ato de escrever. As poesias, no entanto, estão divididas entre esses dois lados, Sombras e Luz, que, conforme explico no livro, considero serem igualmente importantes e complementares. Dias de Sombra seguem caminhos etéreos, escuros, disformes, perdidos. Dias de Luz, por sua vez, nos trazem imagens leves, vivas.
A ideia de escrever este livro surgiu-me, antes de qualquer coisa, como uma necessidade de sobrevivência. Acredito que esse fator seja comum entre poetas. Fato é que eu estava enfrentando um difícil quadro de depressão, sem vontade de viver. Minha psicóloga então me recomendou que eu voltasse a escrever, já que esse era um hábito na adolescência que havia me ajudado muito. Foi então que os versos começaram a surgir. E surgiram cada vez mais amadurecidos e viscerais. Muitas pessoas me recomendaram publicá-los e, como sempre havia sido um sonho, achei que era a hora certa de realiza-lo.
Acredito que qualquer alma sensível vá tirar proveito da leitura desses versos.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Sempre nutri o sonho de ser escritora. Não sei se isso um dia vai virar uma ocupação integral, acho difícil, mas definitivamente não pretendo parar só neste livro. Tenho vários livros já no forno. rs Pelo menos mais dois livros de poesias e um de contos já têm seus esboços. Também tenho um livro infantil já escrito e outros esboçados. Essa é outra vertente que eu quero explorar, mas ainda estou buscando uma parceria de ilustração legal, que complete o sentido, para poder iniciar as publicações. Enfim, o sonho é grande.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
É complicado. Se ser escritor no Brasil já é difícil, quando sua preferência é escrever poesia, aí é que o quadro se complica mesmo. Não somos educados para uma visão sensível, metafórica. Pelo contrário! Somos cada vez mais bombardeados por respostas prontas, de massa, pensamentos rasos. Livro que vende é livro de youtube, ou sagas fantásticas de fórmulas batidas que se repetem. Para piorar, a maioria das editoras não investe em autores iniciantes. Entendo as questões de risco financeiro, mas caímos num ciclo difícil de romper.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Pesquisando. Quando a intenção é publicar um livro, pesquisar é a melhor resposta para não acabar caindo numa fria. Várias editoras falam que aprovaram seu original e, quando você vai olhar os termos do contrato a coisa é completamente absurda. Muita gente mais empolgada e desavisada se prejudica numa situação dessas. Um livro publicado é como um filho que nasce, você não quer experiências ruins nesse momento, você quer que tudo saia do jeito que você sonhou. E assim foi o nascimento do meu livro.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Poesias que marcam a viagem por uma alma humana sempre merecem ser lidas. Nas sombras perturbadoras, ou na luz clarificadora há sempre uma sensibilidade alheia que nos fale à nossa própria sensibilidade.

Obrigado pela sua participação.

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