sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Entrevista com Ricardo Daunt de Campos Salles - Autor de: PINGO NOS IS

É descendente das mais antigas famílias de nossa cidade. Mesmo não tendo nascido em Pinhal, adotou nossa cidade como sua, e aqui vem desenvolvendo, com sua pena de escritor, um incansável trabalho como defensor da ética, da moralidade e dos direitos de nosso povo. Pingo nos is é um livro que exalta, com argúcia e rara competência, o que temos de melhor em todos os campos de atividades. Abrange política, arte, futebol, religião. Incita as pessoas a reivindicar decência e honestidade na vida pública. Abre os olhos do povo para que fique atento para fiscalizar o que lhe pertence.

Tem sensibilidade de dizer que enquanto a fotografia nos revela os acontecimentos no papel, a música os revela na alma. Grande incentivador da cultura pinhalense e seus valores, é agora baluarte do movimento Rainha das Serras, és responsável por ela. Este é um livro imperdível para todos os que buscam uma compreensão profunda de nosso tempo, nossa cidade, nosso país. Não deixe de lê-lo. Marly Bartholomei. Escritora, autora, entre outros trabalhos, do livro O Romance de Pinhal, bem como de diversos artigos para jornais.

Muita gente, ao ler minhas crônicas, se admira da diversidade de assuntos tratados. Ao que eu sempre respondo: eu não sou Ph.D. em política, nunca estudei arte, muito menos joguei futebol. Embora homem de fé, minha religiosidade é questionável. Eu entendo de gente, para o bem ou para o mal. Sou observador, tenho a capacidade de me indignar e adoro relacionar fatos, fazendo relações que muitas vezes escapam ao senso comum. Mas, acima de tudo, odeio clichês e não tenho medo de não ser politicamente correto; ao contrário, adoro uma polêmica. É exatamente a diversidade que caracteriza as relações humanas, não importa se negócio de estado, exposição de arte, semana literária, culto religioso, jogo de futebol – enfim, todas as atividades têm relação entre si e podem definir a essência do momento. O futebol acabou refletindo a política do país quando foi derrotado pela Alemanha por 7 a 1, resultado do sentimento de derrota do brasileiro, indignado com a corrupção de seu governo e da FIFA. Agora que, ao que parece, a impunidade está com seus dias contados, o time brasileiro, depois de seguidas derrotas, conquista a medalha de ouro olímpica e o povo grita “o campeão voltou”, quando na realidade é a esperança que está voltando.


Nos anos 70, política, futebol e arte interagem por ocasião do chamado falso milagre. Enquanto o governo militar obtinha enorme aprovação popular, o time brasileiro de futebol conquistava sua mais contundente vitória, e quem pagou o pato foi nossa música popular brasileira que, pelas mãos de seus próprios artistas, inviabilizou a carreira de um de seus maiores ídolos, Wilson Simonal, sob alegação de esse artista patrocinar a ditadura militar. Aliás, a polarização esquerda e direita não é prerrogativa da classe política e está entranhada no meio artístico que, em nome de uma pseudojustiça social, criou obras maravilhosas que até hoje extasiam o público, independentemente de sua coloração ideológica. Daí a censura contra a força que só o artista consegue imprimir na sua arte, que acaba ameaçando os detentores do poder. Enfim, o mundo é um mosaico de atitudes e sentimentos, ações e omissões, intuição e lógica, talento e esforço, e tudo aquilo que é mensurável ou imensurável, pertinente ou inominável, geral ou particular, o que, em maior ou menor grau, acaba definindo um determinado tempo. E é justamente na urgência desse tempo que os artigos deste livro foram escritos, referindo-se a um ciclo que, ao que tudo indica, está chegando ao fim neste país.



Olá Ricardo. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Muita gente ao ler minhas crônicas se admira da diversidade de assuntos tratados. Ao que eu sempre respondo: eu não sou Ph.D. em política, nunca estudei arte, muito menos joguei futebol. Embora homem de fé, minha religiosidade é questionável. Eu entendo de gente, para o bem ou para o mal. Sou observador, tenho a capacidade de me indignar e adoro relacionar fatos, fazendo relações que muitas vezes escapam ao senso comum. Mas acima de tudo, odeio clichês e não tenho medo de não ser politicamente correto, ao contrário, adoro uma polêmica.
É exatamente a diversidade que caracteriza as relações humanas, não importa se negócio de estado, exposição de arte, semana literária, culto religioso, jogo de futebol, enfim, todas as atividades têm relação entre si e podem definir a essência do momento.
O futebol acabou refletindo a política do país, quando foi derrotado pela Alemanha por 07 a 01, resultado do sentimento de derrota do brasileiro, indignado com a corrupção de seu governo e da FIFA. Agora que, ao que parece, a impunidade está com seus dias contados, o time brasileiro, depois de seguidas derrotas, conquista a medalha de ouro olímpica e o povo grita, o campeão voltou, quando na realidade é a esperança que está voltando.
Nos anos 70, política, futebol e arte se interagem por ocasião do chamado falso milagre. Enquanto o governo militar obtinha enorme aprovação popular, o time brasileiro de futebol conquistava sua mais contundente vitória, e quem pagou o pato foi nossa música popular brasileira que, pelas mãos de seus próprios artistas, inviabilizou a carreira de um de seus maiores ídolos, Wilson Simonal, sob alegação de esse artista estar patrocinando a ditadura militar.
Aliás, a polarização esquerda e direita não é prerrogativa da classe política e está entranhada no meio artístico que, em nome de uma pseudo justiça social, criou obras maravilhosas que até hoje extasiam o público, independentemente de sua coloração ideológica. Daí a censura, contra a força que só o artista consegue imprimir na sua arte, que acaba ameaçando os detentores do poder.
Enfim, o mundo é um mosaico de atitudes e sentimentos, ações e omissões, intuição e lógica, talento e esforço, e tudo aquilo que é mensurável ou imensurável, pertinente ou inominável, geral ou particular, o que, em maior ou menor grau, acaba definindo um determinado tempo. E é justamente na urgência desse tempo que os artigos desse livro foram escritos, se referindo a um ciclo que, ao que tudo indica, está chegando ao fim neste país.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Escrevo para os jornais de Espírito Santo do Pinhal, onde resido.
Assino uma coluna no jornal A Cidade, posteriormente O Pinhalense há dez anos.
Fiz uma seleção entre as mais de duzentas crônicas publicadas, com o propósito de
resgatar esse período conturbado que desaguou nesse caos político que estamos vivendo.
Como disse acima, meu livro é muito variado, aborda vários assuntos, sempre numa abordagem política.
Ler a Apresentação do livro a pag.11, que explica o meu objetivo na publicação
do livro.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Esse é o grande desafio. Como escrevo para jornais numa cidade pequena recebo muitas
manifestações positivas de meus leitores.
Escrevo também para o jornal O Estado de São Paulo na coluna Fórum dos Leitores.
Enfim, se o que eu escrever tiver receptividade para poucas pessoas, já terá valido a pena.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Meu filho já publicou dois livros de poesia pela Scortecci. Devaneios e Definições da Vida.
Portanto conheço a Scortecci há bastante tempo.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
O meu livro merece ser lido por tudo isso que escrevi acima. Pela receptividade que suas crônicas tem tido, mas principalmente, por mostrar as entrelinhas do momento que o brasileiro está vivendo, seja através da política, das artes, do esporte, da religião, e por aí vai.

Obrigado pela sua participação.

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