domingo, 28 de outubro de 2018

Entrevista com Maria Amélia Blasi de Toledo Piza - Autora de: CONTOS ACONTECIDOS

Natural de Botucatu SP,  formou-se em Artes Plásticas e Música, vindo a obter o doutorado em Arte Brasileira pela Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP Bauru. Lecionou em Faculdades da Região e foi responsável pelo Setor Cultural da Prefeitura de Botucatu, quando organizou o Museu de Arte Contemporânea e o Museu Histórico da cidade. Pertence à Academia Botucatuense de Letras ocupando a Cadeira Nº 6, cujo patrono é “Francisco Marins”. Dedica-se à escrita como cronista, memorialista e historiadora de arte, tendo publicado vários livros. Como pintora tem produção intensa, participando de Salões e Exposições no Brasil e no exterior, obtendo expressiva premiação.

Nesse livro, a autora dá forma narrativa a vários episódios colhidos na tradição oral de seus familiares e amigos através dos anos e que perduraram na lembrança pela sua singularidade. Em seus contos, transparecem as recordações dos antepassados italianos e portugueses narrados nas reuniões familiares já em terras brasileiras. “Contos Acontecidos” funde humor, romantismo, melancolia, mistério, surpresa e ineditismo. Em linguagem escorreita e familiar, conquista o leitor pela feliz escolha dos temas e veracidade ou ficção dos relatos. Da inserção na alma infantil de uma menina egoísta, em “A boneca” aos meandros do casamento por interesse em “A famosa História da Branca da Gama”, Maria Amélia Piza perpassa por fatos narrativos envolventes. Vale a pena ler.”
José Celso Soares Vieira, presidente emérito da Academia Botucatuense de Letras.

Olá Maria Amelia. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Este livro contém narrativas de histórias que realmente aconteceram. Algumas são muito antigas, foram contadas pela minha avó, nas rodas de conversa da família. Outras são recentes, algumas eu mesma presenciei. O livro se destina a um público amadurecido, jovens e adultos.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
No último mês de junho completei 81 anos. Dediquei-me ao ensino da música, do desenho e da pintura. Escrevi colunas na imprensa da minha cidade, sobre atividades do Museu Histórico e Crônicas sobre fatos e pessoas da cidade. Obtive grau de Mestre e de Doutora em Arte Brasileira, apresentando a obra de Carlos Oswald, grande pintor Sacro do Rio de Janeiro, e seu filho, Henrique Oswald, autor de belíssimo Mural Sacro em Botucatu. Estou escrevendo sobre eles, agora. Tenho vários livros inéditos, biografias, manuais técnicos e novos contos. Tenho cinco filhos e quatro netos.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Nossos escritores são muito produtivos e imaginosos. O mesmo digo dos nossos ilustradores. Temos poucos leitores por causa da barreira atroz que é o analfabetismo. E pouco tem sido feito para eliminar essa chaga que mantém nosso país atrasado e longe da tecnologia atual. No entanto, o analfabeto é valorizado como está, dando a ele direitos cívicos como eleger seus governantes. Os religiosos ainda se esforçam para aprender a ler a Bíblia. Outros, o suficiente para digitar o celular. Nossos alunos, com a progressão automática, mergulhados numa letargia, mal se alfabetizam. O escritor é um idealista, que muitas vezes financia sozinho seus próprios livros, sem esperar grande retorno financeiro disso, levado pela nobre vontade de semear. Mas tenho fé que a leitura vencerá.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Conheço a Scortecci de muitos anos. O primeiro livro editado por ela que tive em mãos foi uma coletânea, que achei muito bem feita. Depois, em 2003 levei para ela a primeira edição do meu livro "Por que amo Botucatu".

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Sim, o meu livro merece ser lido, porque contem relatos verdadeiros, alguns, através de conversas com pessoas idosas, outros, acontecidos de verdade, que pude presenciar.
Mensagem para os meus leitores: "Maravilhem-se todos os dias com a vida ao seu redor. Pessoas, objetos, jardins, animais, tudo forma uma teia de sustentação da sua presença no mundo, tudo está ali para o seu agrado, a sua experiência de participar. Preste atenção: muita coisa está acontecendo..."
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Obrigado pela sua participação.


Um comentário:

  1. Amélia escreve contos e crônicas do dia a dia com um olhar atento e bem humorado carregado de amor pela vida e entendimento do sentimento humano. Num mundo egoísta e materialista traz uma mensagem de valores esquecidos.

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