segunda-feira, 27 de julho de 2020

Entrevista com Alexandre Meyr - Autor de: NEM SÓ DE LITERATURA VIVE O HOMEM

É natural de Canoas (RS) e residente em São Miguel do Oeste (SC), é servidor público catarinense aposentado.
Publicou "Paixão Sólida" (contos), Scortecci Editora, 2016.
Com poemas e contos participou da Coletânea Coexistência, Porto de Lenha Editora, 2016; Antologia Palavras Abraçadas, Scortecci Editora, 2016; Coletânea Internacional Gaya, Editora Gaya, 2018; Coletânea Conexão Brasil 2019 – Concurso Literário, Editora Alternativa, 2018; Coletânea Internacional Malabarista do Tempo, Editora Gaya, 2019; Coletânea Internacional Diálogos, Editora Gaya, 2019; Antologia Natal com Poesia, Biblio Editora, 2019.
Escreveu os romances "Nem só de Literatura vive o homem", Scortecci Editora, 2020, e "Vinhedos da Pampa", Editora Gráfica McLee, 2020 (no prelo).
É membro da Academia Internacional de Artes, Letras e Ciências “A Palavra do Século 21” – ALPAS 21, com sede em Cruz Alta (RS), onde ocupa a Cadeira nº 120, tendo como Patrono Rafael Henzel.

Em ambicionada exaltação aos livros, muitas das vidas aqui personificadas experimentam dramas e compartilham emoções. O palco no qual sucedem essas cenas – o município de São Miguel do Oeste, no extremo oeste catarinense – tem como pano de fundo um Brasil diferenciado, um país no qual “as coisas funcionam”, onde as instituições (e seus administradores) têm sua real razão de ser e cumprem verdadeiramente seus papéis, em que a maioria das pessoas são proativas, generosas, solidárias, e onde impera, com raríssimas exceções, o respeito mútuo entre os seres humanos e destes para com a Natureza.  Se A sombra do vento, de Carlos Ruiz Zafón, é “uma grandiosa homenagem ao poder místico dos livros”, este romance pretende ser um sincero tributo ao poder de transformação dos livros.

Olá Alexandre. É um prazer contar, novamente, com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Desde os primeiros anos escolares alimentei meu gosto pela leitura, que se foi alicerçando nas histórias em quadrinhos (Walt Disney e Maurício de Sousa) e mais tarde nos romances e contos. Quando tenho oportunidade, frequento feiras, lançamentos ou divulgações de livros, assim como festivais ou jornadas literárias. Com o passar do tempo, interessei-me por conhecer as histórias de vida e de escrita dos autores. Foi a partir dessas experiências que, em 2015, incursionei com mais entusiasmo nessa arte e passei a escrever ficção. Este livro, que se destina ao público adulto ou juvenil, começou a ser rascunhado naquela época com base em minhas observações nesses ambientes literários. Com essa ideia, criei personagens fictícias a contracenarem com personagens reais (e vivas – de quem obtive a devida anuência), fazendo-as vivenciarem suas emoções e seus dramas em um Brasil utópico (como decerto muito escritores almejam).

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Mesmo antes de enamorar-me de minha esposa, já havia plantado árvores, e continuei essa saga após o casamento. A propósito, o matrimônio também deu-me a oportunidade de criar uma filha. Enquanto leitor, até anos atrás, nunca havia sonhado em ser escritor. Porém, ainda em 2015, enquanto começava a costurar os retalhos que me permitiram construir este romance, escrevi contos que colacionei em meu primeiro livro, intitulado “Paixão sólida”, publicado pela Scortecci Editora no ano seguinte. Uma vez que ingressei nessa senda, entendi por segui-la adiante. Isso porque elaborei poemas e contos, com os quais participei em várias antologias e/ou coletâneas (por exemplo, “Palavras abraçadas”, pela Scortecci Editora, ainda em 2016). E porque já estão atualmente no prelo, por duas outras editoras, mais dois livros: um de contos, denominado “Mosaico de contos”, e outro romance, “Vinhedos da pampa”. Ambos deverão ser publicados em breve. Aliado a isso, estou escrevendo mais três romances, dois esboçados há cerca de quatro anos, outro mais recente e ao qual estou dedicando-me com mais afinco.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
É uma realidade triste e infeliz termos um país carente de leitores. E, no entanto, noto que mais e mais pessoas estão se aventurando na arte de escrever. Acredito que esses escritores, como eu, alimentam a esperança de um dia (que esteja logo ali, sem demasiada delonga) invertermos esse quadro. Difícil é obrigar alguém a ler, como ocorre no ensino de salas de aula, porque essa obrigação alija a pessoa do interesse que ela deveria despertar por conta própria. Ao contrário, motivá-la a ler, por meio do exemplo vindo de pessoas próximas, como o pai, a mãe, um dos avós, talvez até um amigo ou mesmo um professor que lê, pode despertar naquele ser a vontade de saber o que se passa naquela história escrita. Quando surge-me ocasião, procuro incentivar, estimular alguém a ler. Aliás, esse propósito busquei desenvolver na trama que teci nesta minha obra. Como tantas outras que li, a minha tem o condão de exaltar os livros, de oferecer um tributo ao poder de transformação que nos proporcionam. Sim, porque a leitura pode nos tornar mais empáticos aos dilemas alheios, pode nos fazer contentes com as alegrias dos outros; os poemas ou as prosas podem nos fazer rir ou chorar, ou apenas nos permitir concatenarmos nossas reflexões.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Quando elaborei meu primeiro livro de contos, ofereci sua leitura a duas escritoras. Elas o aprovaram e a uma delas, a mestra Suzete Carvalho, a quem conheci pessoalmente no festival literário de Poços de Caldas/MG, em 2015, solicitei uma opinião, a indicação de uma editora que se propusesse a trabalhar a obra. Ela sugeriu-me a Scortecci Editora.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Sim! Meu livro merece ser lido, sim! Por um lado, evitei aventurar-me na lida de escritor sem buscar algum conhecimento. Aprendi que querer escrever é uma coisa; mas querer escrever “bem” exige mais força de vontade, mais determinação, disciplina e perseverança. Eu fui em busca de sugestões ou técnicas de escrita. Li variadas obras que discorrem sobre esses aspectos. Participei de oficinas literárias para melhor instruir-me. Com isso, creio que aprimorei a lavra dos dramas que minhas personagens vivenciam, e devo ter conseguido chegar a um estilo de escrita, o que, no meu sentir, pode aproximar o leitor ao gosto de sua leitura. Por outro lado, situei as principais histórias em São Miguel do Oeste, localidade do extremo oeste catarinense pela qual, em razão de sua geografia e por seu povo hospitaleiro, nutri grande afeto. Espelhando-me em Rubem Fonseca, Ernest Hemingway, Johannes Mario Simmel, Klaus Pettinger, Carlos Ruiz Zafón, Nikos Kazantzakis, Javier Cercas, F. Scott Fritzgerald, Rafael Gallo e Jack Kerouac, entre tantos outros, meu livro oferece oportunidade ao leitor de conhecer ambientes e paisagens (algumas fictícias) deste município, por onde minhas personagens perambulam.

Obrigado pela sua participação.

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