quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Entrevista com Maria Mortatti - Autora de: MULHER UMEDECIDA

Maria Mortatti
Nome literário de Maria do Rosário Longo Mortatti.

Nasceu em 06/11/1954, em Araraquara/SP. É licenciada em Letras, mestre e doutora em Educação. Atuou como professora de língua portuguesa e literatura na educação básica. É professora titular na Universidade Estadual Paulista, campus de Marília. Publicou livros, capítulos e artigos científicos sobre história da educação e ensino de língua e literatura. Recebeu o 54º Prêmio Jabuti – Educação - 2012. Publicou dois livros de poemas: "Breviário amoroso de Sóror Beatriz" (Patuá, 2019) e "Mulher umedecida" (Scortecci, 2020).


Os poemas evocam estados íntimos do eu-poético, na busca de simultaneidade entre o momento do vivido e o momento de seu registro como experiência (poética). Caracterizam a narrativa de uma longa e tortuosa jornada amorosa e de autoconhecimento, provocada pelo encontro e o vínculo com o Outro. Como uma peça poético-musical resultante do entrecruzamento de referências a composições literárias e musicais, entre começos, fins e recomeços, do começo ao fim ou do fim ao começo, o livro representa uma declaração do amor sem começo nem fim ofertada pela mulher ao homem que a umedeceu.

Olá Maria do Rosário. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
Mulher umedecida” é o segundo (e o único publicado até agora) de uma trilogia composta por outros dois títulos: “Mulher emudecida” e “Mulher enlouquecida”. A voz feminina e o amor são os elementos comuns aos três. “Mulher umedecida” contém 55 poemas, escritos em 155 dias e noites, entre 15 de janeiro e 15 de julho de 2020, dispostos em quatro movimentos. Representam estados íntimos do eu-poético e se assemelham a páginas de diário, em que se vai tecendo a narrativa de uma longa e tortuosa jornada ritmada pelos sentimentos da mulher na relação com seu amado, a quem dedica os poemas. Como uma peça poético-musical resultante do entrecruzamento de referências a composições literárias, musicais e pictóricas, entre começos, fins e recomeços, o livro representa uma declaração de amor sem começo nem fim ofertada pela mulher ao homem que a umedeceu.
O tema do amor é universal. Por isso, o livro pode ser lido por todas as pessoas que acolherem o convite e se deixarem tocar pelos poemas. Recebi comentários muito positivos de público diversificado: mulheres, homens, jovens e adultos. Todos se dizem tocados pelos poemas, mas por motivos diversos. Alguns gostaram de poemas mais densos, alguns identificaram a importância da família, outros destacaram as referências musicais e literárias. Nem sempre os comentários coincidem com os sentidos imaginados pela autora. Cada leitura integra também a história de vida e de leitura de cada um. Por isso, o leitor tem sempre razão em sua emoção.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
Meus projetos no “mundo das letras”, eu os venho realizando há mais de quatro décadas, e muitos ainda estão por se realizar. Até o momento, publiquei 12 livros (além de dezenas de artigos e ensaios e outros dois livro em fase de publicação) sobre assuntos acadêmico-científicos, resultantes das pesquisas que realizo como professora universitária na Unesp - Universidade Estadual Paulista, campus de Marília. Neste momento, outros dois livros estão em fase de publicação.
Também há mais de quatro décadas escrevo textos literários (contos e poemas principalmente). Mas apenas recentemente comecei a publicá-los. “Mulher umedecida” (Scortecci, 2020) é o segundo livro de poemas. O outro é “Breviário amoroso de Sóror Beatriz” (Patuá, 2019). Em fase de publicação há outro livro de poemas, “Cancioneiro da espera”, e um de contos, Mulher emudecida. Em elaboração, há outros que espero finalizar em breve.

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Exceto em casos excepcionais, não se consegue mesmo viver exclusivamente de recursos de direitos autorais ou atividades afins à atividade do escritor. Os recentes resultados da 5ª edição da pesquisa “Retratos da Leitura no Brasil” (Instituto Pró-Livro/Itaú Cultural não são muito animadores em relação ao aumento do número de leitores — aqueles que leram, no todo ou partes, pelo menos um livro nos últimos três meses — embora indiquem que é relevante o número dos que leem literatura em diferentes gêneros e modalidades de textos. Mas ainda é baixo o número de leitores, e a leitura ainda é pouco valorizada. Um e outro dependem de avanços nas condições sociais, econômicas, culturais e educacionais do país. No entanto, o que se constata nos últimos anos no país é justamente o contrário: estagnação ou retrocessos em relação às políticas de incentivo à leitura, por meio de descaso governamental ou de ataques diretos, como a recente proposta inconstitucional de “taxação” do livro, impactando negativamente toda a cadeia produtiva do impresso, como parte da reforma tributária proposta pelo governo federal.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Conheço há muito tempo a Scortecci, seja por meio dos livros que edita seja por meio das pesquisas sobre leitura e literatura que realizo como professora universitária. A experiência e o profissionalismo dessa editora foram fatores importantes para eu decidir apresentar a proposta de publicação, que foi acolhida pelo editor. Acompanhando todo o processo de produção, distribuição e divulgação do livro, pude confirmar, com satisfação, o excelente trabalho realizado pela editora.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Como todos os textos que escrevo, “Mulher umedecida” também foi movido pela paixão pela vida. É uma celebração do amor que toca do coração da mulher para seu amado e se oferece a todas as pessoas, como um convite a se deixarem tocar por esse sentimento tão profundamente humano. E a se deixarem tocar por meio da poesia, o mais “gratuito” dos gêneros literários. Especialmente nestes tempos de tantas incertezas, o livro merece ser lido, pois oferece a possibilidade de deleite e fruição, como formas de resistência e esperança.

Obrigado pela sua participação.

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