quinta-feira, 12 de março de 2015

Entrevista com Sami Tebechrani - Autor de:  ANOS 1950 - HISTÓRIA, HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DO COTIDIANO

Sami Tebechrani
Nasceu em 1939, na cidade de Batatais, interior do Estado de São Paulo. É engenheiro pela FEI-PUCSP, pós-graduado em administração de empresas pela EAESP-FGV e bacharel em ciências sociais pela FFLCH-USP. É autor de Uma dúzia de pequenos contos contados – Editora Scortecci – 2014.







Anos 1950 - História, Histórias e Memórias do Cotidiano - Vol. 1 e Vol. 2
Viaje no tempo! É meados do século XX!
O período vai do término da Segunda Guerra Mundial em 1945 até o golpe militar no Brasil em 1964. O cenário é constituído por uma pequena cidade onde você participa do seu dia a dia e ouve ou lê as notícias dos principais acontecimentos do mundo, do país e da comunidade. A televisão ainda não chegou. No começo, o cinema apresenta a maioria dos filmes em preto e branco e alguns deles mudos; a escrita ainda é manual, com a pena molhada na tinta do tinteiro e secada com mata-borrão; no escritório pode ser datilografado um texto em uma máquina de escrever manual; para a obtenção de cópias, é usado o mimeógrafo; Um aluno de engenharia, para fazer contas, usa uma régua de cálculo. Computador, celular e internet para o público ainda são ficção.
Você liga o rádio a válvula e, apesar dos ruídos, ouve as notícias do Repórter Esso. A maioria delas tem vínculo com o clima da Guerra Fria; conflitos regionais estão na ordem do dia, como as Guerras da Coreia e do Vietnã, as Revoluções Chinesa e Cubana e tantos outros enfrentamentos no mundo. Começa a conquista do espaço. No Brasil político, dois eventos são marcantes e permeados de tramas golpistas: o suicídio do Presidente Vargas e a renúncia do Presidente Jânio Quadros. Surge Brasília. A indústria automobilística é implantada. O Brasil perde o Mundial de Futebol em 1950, no Maracanã, porém sagra-se campeão em 1958 e 1962. E assim são apontados outros acontecimentos notáveis...

Começa o êxodo rural para a cidade. A urbanização se acentua. Novas demandas surgem. A educação, por exemplo, experimenta um avanço social com a criação de escolas públicas de curso secundário, consideradas de boa qualidade...
As endemias aparecem e assustam. As doenças contagiosas estão na ordem do dia. Febre amarela, crupe, tuberculose, poliomielite aparecem... e aí é contada a história da vacina...
Os armazéns, padarias, farmácias, açougues, lojas de armarinhos, oficinas e quase todo comércio ou serviço vendem fiado, têm clientes de caderneta. Os produtos, em geral, são vendidos a granel, picado, a varejo, a retalho...
Entretenimento? Lazer? Há que se frequentar clube, participar de seus bailes e, na temporada, divertir-se em seus salões com as festas caipiras ou pulando carnaval. Vez ou outra aparece um circo ou um parque de diversão. Há quermesses beneficentes, pratica-se a caça e a pesca, faz-se piquenique...
Jogos, brinquedos, brincadeiras e passatempos verbais são muitos e baratos ou independem de gastos, como são aqueles fornecidos pela natureza ou decorrentes de sucatas que, com pouco trabalho e criatividade, são transformados em objetos para aqueles folguedos. Crianças e adolescentes brincam em grupos, nas calçadas, nas praças, nas ruas, nos terrenos baldios...
O período é notável quanto ao emprego de palavras e expressões populares, linguagens, ditados e outras manifestações verbais. A missa é rezada em latim. A curiosidade e a criatividade afloram...
Quer saber quais os filmes que são exibidos nos cinemas ou as músicas que são ouvidas no rádio, tocadas nos bailes ou reproduzidas nas vitrolas com discos de ebonite 78 rpm ou depois com LPs de 33 1/3 rpm? Veja o apêndice...

Boa viagem no tempo!

Olá Sami. É um prazer contar com a sua participação no Blog Divulgando Livros e Autores da Scortecci do Portal do Escritor.

Do que trata o seu Livro? Como surgiu a ideia de escrevê-lo e qual o público que se destina sua obra?
O conteúdo do livro está expresso em seu título. As narrativas se desenvolvem principalmente sobre o que acontecia em meados do século XX. Usa como cenário uma pequena cidade do interior paulista para contar como era o cotidiano daqueles tempos; da mesma forma, quando há oportunidade, são contadas historietas, verdadeiras ou como anedotas, acontecidas ou apreciadas na época; por fim, a cada oportunidade, são abertos espaços para a História, com h maiúscula, com a apresentação dos acontecimentos mundiais e nacionais que marcaram a época, seus antecedentes e suas consequências. Foi um período marcante e gostoso do meu tempo de jovem e daí o desejo para descrevê-lo. De início, pretendia fazer um trabalho acadêmico mas, por diversas razões, resolvi concebê-lo como está: mais comunicativo e de leitura mais descontraída. O livro se destina a todos aqueles que têm interesse em História e, seletivamente, para aquelas pessoas com mais de cinquenta anos, que poderão se recordar ou se identificar com muitos dos momentos ali descritos.

Fale de você e de seus projetos no mundo das letras. É o primeiro livro de muitos ou apenas o sonho realizado de plantar uma árvore, ter um filho e escrever um Livro?
O alvo não era o sonho apontado, mas ele aconteceu. Em 2014, publiquei o meu primeiro livro: uma dúzia de pequenos contos contados. Em verdade o atual foi o primeiro a ser escrito, entre os anos 2000 e 2005, porém só agora publicado. Quem sabe ainda terei tempo para escrever um novo livro!

O que você acha da vida de escritor em um Brasil com poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada?
Acho a vida de escritor muito difícil. Aliás, o fato afirmado de o Brasil ser um país de poucos leitores e onde a leitura é pouco valorizada está expresso no meu livro, na parte intitulada uma antologia. Felizmente, para mim, escrever é apenas prazer.

Como você ficou sabendo e chegou até a Scortecci Editora?
Como afirmei, o livro foi escrito há dez anos. A dificuldade em publicá-lo residia no fato de você não ser um autor conhecido e, por isso, ter que bancar os custos da revisão, arte, edição, publicidade, distribuição, venda e coisas assim. Não é fácil. Certo dia, conversando com um primo, comandante da Zambon iBooks, ele fez a recomendação da Scortecci.

O seu livro merece ser lido? Por quê? Alguma mensagem especial para seus leitores?
Acho que vale a pena ler o livro. Tenha coragem! Embora ele seja extenso (700 páginas em dois volumes), ele pode ser lido por subtítulos sem prejuízo do entendimento do conteúdo, além de possibilitar um distraimento, intercalado com pitadas de humor.

Obrigado pela sua participação.


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